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terça-feira, 19 de junho de 2012

Vem acender-me a noite!


traz-me a energia de um beijo,
devolve-me o fogo dos lábios,
devora comigo a sede das bocas,
enfeitiça o sabor das línguas
esquecidas de que há mais do que palavras
para silabar em murmúrios desvendados;
vem roubar-me o tempo que te ofereço,
ser retrato do que teimo não revelar,
segurar as horas esvaídas em silêncios,
vestir o ocaso do voo desnudado
desesperado pela infinita delonga
da pele por escalar em aromas de suor;
vem acender-me a noite!...
bastará seguires o calendário
omissor das folhas de futuro
onde os dias se jogam a dois.

sábado, 17 de setembro de 2011

Contemplação



Pudesse o olhar suster
o que as mãos não alcançam
e eu despiria, debaixo das palavras,
uma frota de sonhos
em que o teu corpo é leme
desse contemplar que te despe
na espera que minhas mãos toquem
o segredo em que te vestes.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ao largo... e tão perto

foto © Branka Kurz

Chegas
em ondas de rebentação,
com afagos,
afogas-me,
no mastro erguido
iças-te
desnudando caminhos
por onde as mãos
desfazem nós
de cabos
que outras marés
não dobraram
e sem palavras
abeiras-te da boca…

fundeio,
afundo-me,
ancorado em ti.

domingo, 26 de junho de 2011

Sem acordar

© Branka Kurz

Antes que o dia desabroche no mar
vem fazer-te leme da noite
que em vagas me alaga o leito,
na tua boca ensina-me o navegar
onde as rotas perdem memória,
à minha proa encosta teu peito.
E se a_manhã quiser acordar,
no meu corpo faz-te maré,
na minha areia vem rebentar,
até que em ti perca o pé.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Em extinção


Agora que os abraços
são despedida
e o meu peito
porto que já não procuras,
agora que tua vela se abre
ao sopro de outros ventos
e os meus sonhos
já não te servem de bolina,
agora que novas marés
te estimulam o navegar
e demandas diferentes mapas
com pontos de que não sou cardeal,
apanho restos de sorrisos,
espalhados pelo chão
e escrevo um álbum de memórias
que a eternidade esquecerá.


sábado, 4 de junho de 2011

Cura


No teu corpo
abandonado,
deito o meu
magoado,
nas tuas feridas
curo minhas chagas,
no teu deserto
deposito minha sede
e em fome
és-me alimento.
Quando a solidão anoitece
na pele que despes,
são minhas
as carícias que acordas
para te vestir de prazer
a vontade que acompanho!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Rendição


Da noite
sobra um hálito húmido
que golpeia a manhã,
ofereces-te boca-túnel
para meu regresso.
Provo gota a gota
o elixir da volúpia,
teu ventre é meu cárcere,
algemo-me na vontade
e…
rendo-me!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Poema para depois


O teu silêncio
grava-se-me em palavras,
na página da tua ausência
escrevo um poema
que deixo nos lábios,
em forma de beijo,
na esperança de que em tempestade,
amanhã,
o venhas recolher…

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Rotas de fogo

© Branka Kurz

Há no teu corpo
ruas e avenidas
que meus dedos correm
em desvarios coordenados
pelo raiar da manhã...

Deixas na minha pele
uma cartografia de carícias
legível no eco da noite,
qual tatuagem exposta
pela remoção do linho cândido
quando o abraço transborda
para a nudez que nos cobre...

reproduz-se a luz
nos corpos contemplados,
incendiados pelo tacto
em rastos de moradas apagadas
onde em entrega se habitam.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sei de ti


Do teu corpo
sei o cheiro
de fêmea que me seduz,
sei as formas
que as minhas mãos moldam,
sei as cores
que as minhas noites temperam,
sei a carne
que a minha fome prova,
sei a rota
que descubro
para em cada entrada
me perder…


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ontem guardado no bolso


Senti algo nos dedos
olhei, mas nada vi…
cheirei, mas nada detectei…
provei e souberam-se a saudade
daquele ontem ainda tão perto
mas hoje tão distante,
da minha pele desnudada na tua,
das horas insaciáveis
corridas em minutos fugazes,
do turbilhão nas bocas,
da tempestade nos corpos,
dos sonos em contínuas alvoradas…

guardei a mão no bolso,
fechei-a apertando os dedos,
espremendo a secura
desse nada que me ofereceste
saudoso do ontem absoluto.

Telegrama


Talvez consiga tirar-te dos meus dias,
mas não sei se dos meus sonhos...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Traição


Esta noite traí-te…
deitei-me com aquela mulher
que afoga o meu corpo
no mar do seu desejo
e me dilui um beijo
na larva vulcânica de sua boca,
pedi-lhe que os seus lábios
me sugassem a pele arrepiada
e que seus dedos voluptuosos
explorassem a floresta de meus segredos.

Esta noite traí-te…
deitei-me, de novo, com essa mulher
que fugiu de ti,
que se veste com as minhas memórias,
que se cobre com um manto de cânticos
sinonímia deixada por minhas mãos
nas preces de abraços em ti despidos.

Esta noite fechei os olhos
e traí-te com aquela mulher
em que um dia chegaste…
Na mesa de cabeceira
enche-se um copo
com sede de ti…

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Restos


Restam sem nome
retalhos de memória
cerzidos pelo desejo
em mantos de múltiplas faces

resta inteiro este nome
com que me escrevo sem memória,
face única dum desejo
coberto de dias por apagar

restam ilegíveis as páginas
clamando pela chama acordada
da minha pele tantas vezes escrita
na areia onde os sonhos
são praia perdida no teu nome.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Alvorada anoitecida


Vais deixando teu rasto de ausência
num futuro onde semearas alvorada,
escurece neste tempo presente
onde foste sol iluminando a noite.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dimensão


Apago a noite
e encolho-me em lençóis de solidão,
quando o suspiro do meu fogo
não cabe na mão do teu desejo
e as horas são simples passagem
para a margem dum novo dia de saudade…

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

No teu abraço



No teu abraço
faço de conta que não existo
e deixo-te seres
carne do meu desejo...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Noite vaza


Engravida de espera
este tempo em que te aguardo,
à beira-noite,
na ansiedade da enseada,
e que as tuas ondas de desejo
molhem as praias do meu corpo
e a espuma da entrega
permaneça sem horário
na memória das peles
até ao gerar dum novo abraço.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

No cerco da noite



Acerco-me da amurada onde as aves noctívagas vêm depositar os segredos saqueados a rostos viúvos de ternura que perderam os gestos em viagens que não fizeram. Farrapos de desejo salgados por marés de lágrimas e vazados no exílio da espera inócua por onde as palavras se toldaram com lençóis ainda marcados pelas dobras engomadas no sorriso da esperança. Cercam-me lanchas com olhares de outros corpos. Vejo-lhes as correntes, as algemas, os cadeados, na tensão das pupilas, nas garras das gargantas, na erecção dos peitos. Furto-me a esse vento que move os mastros despidos de velas. Escuso-me aos chamamentos e reparo num par de asas esquecido por uma das aves na voracidade de entregar o seu corpo à convocatória do prazer. Alo os meus passos para depressa alcançar aquela ilha onde uma estrela se abrigou da chuva de luz que roubou à madrugada. Vi-a descer sobre o areal e dourá-lo. A espuma descuida-se pelos dedos dos pés… Mas? É então que reparo ser um corpo de mulher acolhido de costas, pelos grãos arrefecidos na noite. Inerte. Tomo-lhe o pulso. Reconheço-lhe o ritmo porque corre a vida. Levanto-lhe as pálpebras e identifico a cor de avelã esverdeada, percorro-lhe a pele e sei o lugar dos sinais, das marcas deixadas na pele, das cicatrizes que singularizam um percurso. Conheço-lhe o odor. E quando os seus braços me envolvem e os nossos peitos se colam, sinto nossos corações compassarem-se em uníssono… sei que és tu! Abro os olhos e confirmo que nessa noite pousaste na minha cama, qual ave em busca dum conforto, não de um ninho mas das asas com que te ofereço a certeza do amanhã.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Prova


Vem provar nos meus lábios
o sabor desta nau
de panos desfraldados
soprada pelo vento da saudade
em espirais de incenso,
eleva-te pelo mastro de canela
onde se iça uma vela
de chama acesa de desejo,
prende-te neste sonho timoneiro
segurando-te ao meu olhar
e prova-me que só a morte
ordenará às pálpebras que desçam.