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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Criação

© Arild Heitmann

invento um deserto
onde só existe a tua boca
e o oásis dos meus lábios.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Leituras


gosto dos livros tantos que guardas na boca e, numa brisa de conversa, desfolhas em páginas de erudição. mas gosto sobretudo dos capítulos que te melam os lábios e a língua e que unes folha a folha, com vulcanicidade, na minha boca.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Confissão



quando tua boca desce a sul,
confesso perder o norte!


sábado, 2 de março de 2013

Endereçado


quando no teu corpo 
me ofereces morada,
os códigos
são postais que não escrevo 
pois os poemas
não passam de cartas
à procura de endereço.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Quantos


quantos,
antes de mim,
te navegaram?
quantos mares
te desfloraram 
ébrios no arrojo
de serem primeiros
a tocar-te ilhas virgens 
[desbastadas por marés de prazer]?



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Óbvia é a manhã

imagem recolhida aqui


óbvia é a manhã em que meu corpo acorda no teu;
abraçados só poderão ter adormecido os guerreiros vencidos pelo cansaço,
ou os que tenham decidido morrer juntos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Formas




no meu corpo,
tua mão escreve a procura do epílogo
onde tudo começa,
decoras cada forma
para que no conjugar das peles
nenhum erro
te interrompa a ladainha do prazer.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Crescendo



ensaiam-se as bocas
como se não fosse certeza
o caminho das mãos,
adiantam-se os minutos
no correr dos corações,
confina-se em apneia 
a consignação dos sentidos
e
quando,
com tua voz

húmida,
me dizes
'entra',
despeço-me da terra
para correr ao teu encontro.



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Respostas


Pergunto-te!
mas não peço palavras na resposta.
aliás só te quero réplica
no ciclo imaginado
onde as maçãs amadurecem
e se mordem.
Virás! eu sei.
ainda que só em desejo, eu sei.
com um trago de resposta
para me salivares a boca
quando em orvalho te abrires.
Engolir! é este o verbo sonhado.

Quando a noite se molhar
acorrentaremos o universo na indiferença,
recusaremos o linho,
subiremos ao infinito ardente,
acenderemos o crepúsculo da tentação
e cantaremos
essa resposta que nos damos,
em que nos escrevemos
e em que nos fazemos
pergunta saciada.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Hoje...

© Molly Magdalain

hoje, um só beijo bastaria para confirmar que tua boca ainda tem sabor.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sem Margens


dá-me o Tejo,
e um beijo,
dá-me o rio,
dá-me o cio,
serei gaivota
na tua rota,
serei ávida canoa
que na tua pele ecoa,
em ti prometo mergulhar
e no teu leito navegar
até que o cansaço seja foz
onde entregaremos a voz.

depois com o silêncio nos dedos,
afogaremos em carícias os medos
e no teu corpo de mulher,
poema serei por [re]escrever!

sábado, 22 de setembro de 2012

Gestos do Gosto


beijo-te a manhã
com os lábios melados no mosto
noctívago da tua pele

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pedra-das... XIV



aquietam-se em silêncio
as manhãs que te acordam em cio
e o meu corpo é jeira
onde teus dedos semeiam desejo...
para quê as palavras
quando a vontade ultrapassa o tempo?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Em ti

© Renaissance Man

Percorro as margens de dois declives
arredondando-se até à confluência
do segredo que tens para me revelar,
engulo a tragos descontrolados a sede
enquanto sinto o prelúdio do sismo
que ficas incapaz de segurar,
fecho os olhos, que no escuro
sentem mais do que vêem,
e perco-me prisioneiro
das águas que te fiz nascer…

sábado, 17 de dezembro de 2011

Saber-te


Quero ser laivo irremediável no tecido da tua pele,
inflamando teus braços em bálsamo de laranjeira,
rasar de olhares as formas que te são talhe
e no tacto da descoberta, apresar sismos de suspiros
provando no teu corpo o sabor da minha boca.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Flor

imagem recolhida aqui


não desiste meu tronco
de habitar nu
___________ 
veludo delongado
do fogo que ardes
para além das sílabas
presas nos braços
cingindo em pétalas
o pistilo em que te geras…

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Palavras Liquefeitas



Guardo um ramo de palavras proibidas, a que roubo o perfume com que meus dedos passeiam em ti. Inebriada ficas sem saber se te escrevo ou aromatizo. Um suspiro arredonda-se no silêncio declarado como cântico, enquanto desabotoas a partitura para que te componha a proibição da minha boca. Mas no aproximar dos lábios, impacientam-se os sentidos e embargada queda-se a razão. Entardece para calar as palavras. Perante o bálsamo da vicinalidade, a essência do que não deveria ser dito exulta na insurreição da volúpia.

Telegrama


Esqueço a sombra nos teus passos
para que não emudeça o eco das horas!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ninho II


Seja teu corpo
o ninho das minhas noites
e os teus braços
asas do voo a que me prendo,
quando em mim te fecundas
reflexo do meu querer
por te pertencer o meu ser
sempre que na minha pele
escreves a rejeição de partir…



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ao largo... e tão perto

foto © Branka Kurz

Chegas
em ondas de rebentação,
com afagos,
afogas-me,
no mastro erguido
iças-te
desnudando caminhos
por onde as mãos
desfazem nós
de cabos
que outras marés
não dobraram
e sem palavras
abeiras-te da boca…

fundeio,
afundo-me,
ancorado em ti.