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domingo, 25 de agosto de 2013

Corrente


despe-me as palavras e, mais do que a pele, ver-me-ás o sangue.
despede-me das palavras quando, mais do que pele, me sentires sangue.

... a correr dentro de ti.

domingo, 18 de agosto de 2013

Voo estreitado


falaste-me
da riqueza dos humanos
e dos sonhos dos pássaros,
da irracionalidade dos instintos
e do horizonte desmesurado dos pensamentos,
e eu balancei
entre os desejos
de uns braços abertos em voo
e os de umas asas fechadas em abraço.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Não me chames!


não me chames se não me sabes o nome! 
ou se o sabes, não o conseguires demorar na tua boca!

sábado, 10 de agosto de 2013

Contar


contei-te os minutos
e depois os passos
e as pétalas caídas dos poemas,
uns já escritos, outros por ler 
e outros ainda por ser,
contei-te as tardes, as paixões e os erros
das noites por adormecer
e contei-te os corpos
e depois as febres
e ainda os fogos acesos 
em incontáveis esperanças por apagar.
contei-te tanto de mim
sem que entendesses
que as histórias não se contam
porque o seu infinito termina
na matemática de quem as não sente.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Desafio


não sei! não sei o que chamar a esta tentação de aqui vir namorar-te as palavras e depois... depois deixar pedaços de mim, na ânsia de provar teu olhar sobre estilhaços do meu sentir...

domingo, 4 de agosto de 2013

Início


sustenho o suspiro e digo-lhe: "ainda é cedo para o verso abandonar o poema! as barcas tardam em se despedir da noite e caírem nos braços do mar. bebe um pouco mais da melodia e esconde-te na espera que o peito se abra. devagar. como quem adormece por acreditar no despertar."

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Olhar esquecido


esqueci-me do olhar num horizonte sem lugar. nem sei se seria horizonte... ou lugar. 
era apenas um nada onde o pensamento me prendeu, na expectativa de ser futuro. 
ou então… passado por recuperar.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

... de areia


sonhei-te de areia.
não sei se para moldar-te ao sabor das minhas mãos…
se para saber-te nas minhas mãos, escorrendo grão a grão ao meu sabor…

sábado, 27 de julho de 2013

Espera


contava grãos para esquecer as horas,
mas percebeu que o areal era demasiado,
para caber no tempo de uma espera...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Cartografia


a cartografia de um corpo explora-se com as mãos, com a boca...
e de olhos fechados.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Penumbra

© Michal Lukasiewicz

um dia deitar-me-ei na penumbra de ti.
tão perto do fogo que me acendes.
vem! pois o nevoeiro já disfarçou a noite
e os corpos arrefecem distantes
da fogueira
se não forem toros adunados.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Desnudação


com que palavras te vestes
quando das minhas me dispo 
e na nudez em que me ofereço 
leio-te a dúvida de seres tentação?

[a]tira[-me] todas as palavras!
para que na tua candidez 
o meu olhar se escreva
nu
e lento
se deite 
na tua pele em vigília.



sábado, 29 de junho de 2013

Inspiração


não sei se me escrevo,
se te escrevo...
sei que me exponho 
para que me recolhas.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vertigem


tão fugaz a tontura,
tão ébrias as palavras,
tão virgens os lençóis da noite
na transparente primeira fusão dos corpos.


terça-feira, 25 de junho de 2013

Esquecido(s)


comemos o pão, as memórias e o cheiro,
o vento cobre-nos com cinzas
talvez o passado,
porventura o presente 
de horas sem fim
sem aroma,
sem lembranças,
apenas com os grãos
em que ardemos
sem percebermos
que não sendo alimento,
seremos esquecidos
antes que as horas
não tenham fim.


domingo, 23 de junho de 2013

Horas incompletas


houvesse uma hora incompleta
e nossa história fosse um corredor
de portas por fechar,
houvesse uma história incompleta
de horas por percorrer
e por acabar...


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Rendo-me!


rendo-me,
se a boca te cala
e as mãos discursam
provo-te a fome
enquanto amadureço
e aguardo,
pacientemente,
perante a impaciência 
que te descontrola;
dominado
perco-me
na tua boca
nova
que não fala
e me acolhe,
em profundidade
rendo-me.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Dá-me a noite!


dá-me a noite!
de todas a mais longa,
aquela em que nossos corpos não se cansaram 
na demora de se pertencerem.


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lembrou-o...


lembrou-o,
naquela tarde,
como à ferida quente
caída sobre o peito
onde a vida corria
sem engano.

esboçou uma linha,
simples tentativa interrompida,
pois contínua
só a mentira
mordida no bago
escorrendo
a ilusão de não ter idade.

lembrou-o
naquele pensamento
onde o amor se disfarçava
de memória.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Pares



gosto de provar-te a pele


lavada no viço da minha

lavada no viço da minha
tua boca alvoroça o fogo

tua boca alvoroça o fogo
aceso em noites de sede

aceso em noites de sede
transpiro a míngua do corpo

transpiro a míngua do corpo
vestido com arrepios ardentes

vestido com arrepios ardentes
de saliva debutante tecido.