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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lábios de asas


Primeiro
faço das tuas asas
lábios,
enlevo em que me levo
até à porta do beijo
primeiro…

depois
faço dos teus lábios
asas,
êxtase em que me amarras
até que em rocio te desfechas
depois…

rompo-te, então, com meu voo
a acoitar-se no teu ninho!...

sábado, 9 de abril de 2011

Pousar


Pouso sobre o teu sono
o momento baço dum olhar
como se o meu fosse uma lente
exsudada pelo vapor dos teus lábios,
esses… permanecem fechados
alquebrados no encantamento duma tela
tentação de quem ousa sabê-los reais,
autênticos são teus cabelos
alinhados na serenidade da quietação
como a mão que pousas no espaço
que tornas meu quando me abraças
e adormeces em ti o receio de te pousar.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Aspergir palavras


Gotículas de palavras
escorrem pelo poema,
traje de um corpo
que desnudas para ser meu,
há réstias de orvalho enfriado
desordenadas nos meus lábios
na espera que a tua língua
venha provar o eu que se escreve.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sinete


Pelo trilho dos luares
encontrei o eco das folhas
esvoaçando em dorsos de árvores,
a tua ausência escrevia-se na noite
e o vento esboçava gestos recusados,
insuspeitadas estradas soluçavam vigílias
no litoral duma página perfumada com um abraço
onde gravei teu nome em contornos da tua silhueta…

quarta-feira, 16 de março de 2011

Extravasamento

© Caminheiro

Na espuma senti a sede
tocar-me o deserto em que me espraio,
bebi em sal o teu desejo
enquanto me abri em poros
para que me penetrasses
em humidade e volúpia molhada,
ofereceste-te em derrame,
convite para me tornar istmo
estrangulando-me na tua imensidão.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Círculo recto


Nas linhas rectilíneas do horizonte
esboçam-se contornos dóceis do teu corpo,
como se as minhas mãos fossem forma
golpeando a seriedade da perspectiva.
Boleia-se o olhar no rascunho do sonho
e o meu desejo fecha-se em moldura
dum espelho segredo onde te moldas
em linha recta para o centro de mim.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Escadas Esquecidas


Quando a necessidade de dizer
se espaça na escadaria do tempo
arrumam-se nas criptas do silêncio
as réstias de magia que a separação
esquecerá…

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Distâncias

© simay zsolt
Contigo,
aprendo a não sofrer a ausência...
de tão longa a fazeres,
esqueço a fome,
a sede,
o voo
e aterro...
tão longe de ti.
 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

À espreita


Tão repleto pode ser um beijo de amor,
tão cheias podem ser as bocas dum beijo,
tão profusa poderá ser a descoberta
que encha um beijo à espera duma boca…

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Leitura


Não sabia das palavras o significado,
mas adivinhava nos versos
a razão do olhar!

sábado, 8 de janeiro de 2011

No perder dos passos


... e assim se perdem meus passos
na solidão do teu silêncio,
logo hoje
em que as palavras de ontem
correram da fonte
onde das tuas mãos bebi a água,
tua dádiva,
para não me perder no deserto.

Paixão



PAIXÃO é aquele período de magia em que acreditamos o outro representar a perfeição esculpida que nós nunca teremos tido capacidade de ser.
... mas que almejamos!


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ali


Ali…
exactamente ali
onde nada se passa
e tudo acontece,
onde o voo levanta,
o paul nasce
e o meu desejo entorpece,
ali…
tão longe daqui,
tão perto do sonho,
orlas duma viagem
dentro de ti!

sábado, 18 de dezembro de 2010

[Re]Verso_s


Sou frente e verso
deste estar em que parto,
reparto-me e fico inteiro
sentado na espera
de permanecer de pé,
em pé
na expectativa de me sentar
lendo o reverso do que sou,
escrevendo o que sou
em verso…

sábado, 13 de novembro de 2010

Entre notas *


Quero ficar naquele espaço
entre duas notas
onde te compões…
naquele momento em que paras
para prosseguir
e os silêncios se ouvem,
num suspiro que canta
a nossa respiração contínua,
quero compor-me
nessa fracção de tempo
em que sou melodia
e tu partitura
onde coloco minhas mãos
para te tocar…


* inspirado em Dá-me a tua mão de Clarice Lispector

domingo, 31 de outubro de 2010

Soubesse eu viver na saudade

foto da minha Canon

Soubesse eu viver na saudade,
que não te diria
haver um banco, na felicidade,
onde só me sento
quando te sinto chegar…
e por detrás dele
as janelas dum sorriso
cerram-se na tua espera.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Num abraço *



Fica nesta pausa
que o meu corpo roubou ao tempo
por saber que irias chegar
com o cansaço das marés,
com o fastio das luas,
pousar,
dum voo regressado,
no ninho
em que o nosso amor
se recolhe
quando a vida corre veloz,
mas o Mundo se confine
a este abraço
em que te pouso
para me pausar.



* inspirado no desenho de Leila Pugnaloni



terça-feira, 28 de setembro de 2010

O dia em que nos perdemos *




Havia uma estrada
por onde fugimos,
subindo degraus de fogo,
enquanto as sombras
estreitavam o caminho…
e só uma candeia,
que se antecipou à noite,
nos viu desaparecer
antes que os telhados
fechassem o dia,
em que nos perdemos…

* inspirado em 'Anoitecer...'

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando a noite... *



É quando a noite desce
que mais me dói
o espaço,
esse vazio desabitado
no meu peito,
onde o sol
já iluminou,
já aqueceu,
já o foste…

É quando a noite se aninha
nas paredes do meu quarto
que me acerco da janela
e contemplo a Lua,
nessa atracção pela Terra,
onde me deixaste
em pé.

Sinto-te,
ainda,
comandante das minhas marés,
nessa lua
em que levas o coração
de que me despeço,
mas em que ainda toco…
quando a noite me lembra
que já partiste!




* inspirado no desenho de Leila Pugnaloni

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"É teu!" *



“É teu!”
disseste-me um dia…
e ofereceste-me essa vontade,
que fizeste minha,
de ser meu
o coração que é teu.

Batem na minha mão
as inquietudes que não seguras,
voam os sonhos que não susténs,
ferem as dores que não dominas
e corre esse ritmo alucinante
de almejares antecipar cada chegada.

Sinto-te
ave desassossegada
repetindo voos extemporâneos,
debicando fragmentos dum ninho
que seguro na mão, para te consagrar.





* inspirado numa foto recolhida no Dia de inaugurações em simultâneo, em Miguel Bombarda [19.Set.2010] e que constitui um pormenor da pintura de Vanessa Chrystie, patente na Galeria Arthobler.