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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Hoje


Quanto quero
ficar num hoje
abrigado por ‘ontens’ oferecidos…
estilhaça-se a certeza de o conseguir
e a ilusão pinta-me a inquietude
deste nada que me sobra.
Amanhã
é, apenas, um futuro inalcançável
por este hoje
que cuidara saber
fazer feliz.

Desilusão



Desvanecem-se os sonhos
no acordar dos dias
em que a felicidade mais não foi
do que uma miragem...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

As primaveras não são eternas


As primaveras não são eternas,
enruga-se-me a esperança
a cada noite abandonada,
em cada mão vazia que me deixas
adia-se uma vontade por preencher,
o horizonte distancia-se,
desenha-se errado o caminho
e regressar
é um tempo que a vida não conjuga
na cronologia dos dias.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Requiem para uma partida *


Quanto mais nos entregamos
menos nos pertencemos.
A vida escoa-se
nos pedaços em que nos doamos.
Iremos irrecuperáveis
a cada partida,
até que na derradeira
mais não seremos do que cinzas
teimando em erguermo-nos
como tronco por arder.

* para a Becas

sábado, 8 de janeiro de 2011

Paixão



PAIXÃO é aquele período de magia em que acreditamos o outro representar a perfeição esculpida que nós nunca teremos tido capacidade de ser.
... mas que almejamos!


Extinção


O fogo pode ser mais forte do que a água
mesmo depois das chuvas poderá reacender,
porém, no frio, será difícil manter as brasas incandescentes
e no esquecimento nem as cinzas resistem à mais leve brisa...

sábado, 25 de dezembro de 2010

Nas cinzas da consoada


Arrefece a esperança
enquanto a espera se estende
pelos talheres e copos intactos,
cerram-se as pálpebras do prato resfriado
pelo aroma fumegante que não chega
e abate-se a penumbra da ausência
no lugar aceso pela chama da ternura…
as memórias ficam por acontecer!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Solidão


Quando o eco dos meus passos
ouço acima do burburinho da multidão,
há um vácuo invadindo esta redoma
onde o sangue esfria
e as palavras são um silêncio inexplorável.

domingo, 28 de novembro de 2010

Está um frio...


Imperceptíveis e silenciosas
apagam-se as velas
que um dia em mim acendeste,
reduz-se o pavio da paixão,
fogueira em que ardemos,
esgota-se a cera
e dissipam-se as sombras
nos lençóis arrefecidos
onde o meu corpo esfria
na ausência do teu…

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Incolor


Como colorir os dias
quando na paleta,
me ofereces
o cinza,
o silêncio,
a distância
e o individualismo
em que te estacas
e me mancha o sorriso?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fechados



Dobrou as palavras e guardou-as num envelope que fechou numa gaveta.
Parou os ponteiros do relógio, que se desdobravam em tempo duma vida, e guardou-os numa gaveta.
Numa mesma gaveta, as palavras ficaram fechadas num tempo sem vida.
E sem que houvesse tempo para as palavras, a vida fechou-se numa gaveta. Esquecida...

domingo, 3 de outubro de 2010

Espera


A noite inundou o silêncio
que já nublara o dia…
enquanto continuo na espera que chovam palavras.

sábado, 25 de setembro de 2010

Declaradamente sóbrio



Valerá o preço a pagar por instantes de alucinação, ilusão, delírio, inebriamento? 

De que se foge quando queremos ir mais longe do que são os nossos limites naturais? 

Em consciência reforço o meu caminho: sóbrio sempre! 

Se alguém quero ser, sou eu!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"O Papel da Segunda Pele", de Vera Castro

imagem recolhida aqui

Lembro da Vera o seu carácter discretamente meticuloso, pormenorizado e perfeccionista. Algo que, para mim e não se me pergunte porquê, assentava na perfeição, na sua figura adelgaçada. Uma ilusória fragilidade cobria uma personalidade tenaz que, por sua vez, se dissolvia numa delicadeza e cuidados cristalinos. A Vera deixou-nos em Fevereiro passado, mas não o fez sem nos herdar com uma obra: O Papel da Segunda Pele. Numa edição da editora ‘babel’, este é o legado que Vera Castro passa aos que, ao contrário dela, ainda não concluíram as suas breves passagens pela vida. Na passada segunda-feira, dia 20 de Setembro, decorreu no Jardim de Inverno, do Teatro São Luiz, o lançamento formal do último projecto da Vera Castro, o ‘seu último acto’, nas palavras de João Lourenço, que a par de Miguel Honrado, Dalila Rodrigues, António Lagarto, Olga Roriz e Jorge Salavisa falaram das suas vivências com a Vera. Numa reunião de amigos, o actual presidente da administração da OPART enalteceu o altruísmo de Vera Castro quando nesta obra perpetua a memória de colegas de profissão como Nuno Côrte-Real e Jasmim de Matos, a coreógrafa enfatizou a introdução da própria Vera no livro agora publicado e a importância do mesmo para as gerações que transversalmente atravessaram a sua carreira profissional e artística. O antigo director do Teatro Nacional D. Maria II, também ele cenógrafo e figurinista, confrontou-nos com um questionar pedagogo sobre a importância do figurino nas artes cénicas e uma incursão conhecedora sobre o livro em que intervém enquanto um dos entrevistados por Vera Castro. Contudo, foi João Lourenço que apresentou o testemunho mais pessoal, mais vivo, mais emotivo de quem foi Vera Castro e do que representava para ela este seu derradeiro projecto. Memórias emotivas da mulher que vestiu o teatro e a dança, em Portugal, e fez questão de herdar a cultura portuguesa com uma obra sobre o figurino, para que uns lembrem e outros se documentem. O testamento duma mulher ‘sem idade’, simultaneamente uma homenagem aos que, com ela, partilham a aventura de desenhar a segunda pele que os intérpretes vestem, nos palcos, para seduzir plateias. Bravo Vera!

domingo, 19 de setembro de 2010

Para ti*



És a gota
em que me desprendi
mas que provo a cada dia.

És o abraço
de que me não solto
e em que me quero enlace.

És a corrida em que permaneço
para não ficar perto
do tempo que nos distancia.

És o sorriso
que abro no peito,
teu colo de tantos sonos,
prazer em que te enleio.

És o pedaço de mim
em que me ofereci
para que me faças futuro
para além do meu tempo,
para além de ti.


* porque hoje é o teu dia!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ter ou pertencer...



“Não importa o que temos, o importante é quem temos. Tu não tens ninguém.”
                                                Agualusa, José Eduardo in Barroco Tropical


Não somos propriedade de ninguém. Não somos proprietários de quem quer que seja. Mas há presenças que nos completam e completamos. Começamos por ser filhos e pertencemos aos nossos pais. Mais tarde seremos pais e pertencem-nos os nossos filhos. São heranças de sangue que os maiores temporais não poderão desfazer. Os primeiros deram-nos a vida, aos segundos somos nós a dá-la. Só que no percurso de cada vida, há uma implacabilidade intransponível: os nossos pais, um dia, despedem-se da vida, enquanto os nossos filhos, um dia também, criarão a sua própria. A cada um de nós resta-nos ficar só. Ligados a estes laços, mas sós. Sem pertencermos a alguém. Sem que alguém nos pertença. Livres para poder migrar entre areais longínquos onde não pousamos, nem fazemos nossos, mas cada vez mais sós. E poderemos construir um reinado. Poderemos coleccionar o que a ambição material e consumista almejar. Mas estaremos sós. Ter-nos-emos a nós, argumentarão muitos… para nos sentirmos sós, responderei eu. É verdade que no leito da morte estaremos sós. Mas quanto valerá, nessa despedida derradeira, ter alguém que nos ouça dizer: ‘Amo-te! Foi bom ter alguém como tu!’?... Quanto não valerá pertencermos a um coração especial que nos pertença?...

sábado, 4 de setembro de 2010

Equívoco


Não confundas a amizade com o amor.
Não confundas o entardecer, com o pôr-do-sol.
Não confundas a quem pertences, com quem te conquista.

Não confundas amizade com amor;
porque uma não precisa de ver, para sentir…
enquanto o outro é incapaz de ver, pois só consegue sentir.

A amizade, uma vez acesa, mantém-se brasa incandescente,
suporta rios, tempestades e tumultos.
O amor é fogo necessitando de lume aceso para arder,
enfraquece com as lágrimas, com a dúvida, com o silêncio...


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O amor


Encontrado na surpresa do caminho,
devemos-lhe a busca quotidiana
dos passos para o percorrer;
é tão longa a vida para amar
e tão curto o amor para viver.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O caminho solitário do individualismo


Na inconsciência do individualismo traçamos rumos de isolamento. Estradas que se teima percorrer sozinho sem perceber que um dia, porventura, será demasiado tarde para que tenhamos a companhia que hoje julgamos não precisar, mas cuja ausência, amanhã, nos afundará numa viagem solitária, dolorosa e irreversível.

Palavras sem voz


Tiras-me a sede dos lábios
quando a fresta se perde
na porta por fechar
e só as nuvens perduram
no céu por anilar.

Afugentas-me o brilho do olhar
quando a melodia se cala
no dia por terminar
e só a indefinição permanece
no tempo por preencher.

Extingues-me o sorriso da pele
quando o vazio alaga
o eu em que me ofereço
e a esperança se desilude
num inconsequente adiar.