Passam tão lentas as estações nesta espera que as pétalas da
tua vontade abram rios na minha felicidade. Tardam os dias em que as nossas
horas se encostam e as nossas peles se colam como páginas dum livro
indestrutível. Adia-se o hoje em sucessivos amanhãs que chegarão para se
dissiparem, como Primaveras desabrochadas na chegada do Outono. Mais não são do
que ciclos de vida, estas delongas em que me deito na expectativa do teu
acordar no meu olhar. Mas as marés não rebentam. Como se pontões opressivos as
tivessem penetrado e estancado o seu desejo. Sou areal estendido numa planície
onde as alvoradas se recusam começar. Adivinho-te as mãos nas memórias por onde
passo na confirmação de certezas. Imagino-te algodão dos lençóis que me cobrem
e translado para lágrimas tuas as gotas de chuva que me molham. Permaneço neste
escalar até ao topo duma montanha aberta em falésia no lado oposto que só
vislumbro quando a ti chego. Nesse instante em que o sol eclipsa a noite, numa
fracção de tempo esgotada pelo rasgar dum clarão. É a tua mão a indicar-me o
caminho. E quedo-me nas sombras do teu corpo, nos ecos da tua voz, na espuma do
teu sabor aguardando o amanhã com a certeza do sol, símbolo da Primavera
fecundando os passos do caminho lavrado com sementes que em beijos quero deixar
nos teus lábios. Estendo a minha mão… na procura da tua.
Uma calçada para subir com o fulgor da paixão e descer com a convicção de regressar. Um espelho de momentos de contemplação, em que sentado num degrau observo, ouço e sinto privilégios que me sejam concedidos. Um lugar de recato onde semear divagações será a forma de descobrir novos caminhos.
segunda-feira, 15 de março de 2010
domingo, 14 de março de 2010
Nas margens...
Nas margens daquele rio há um braço
que me segura na mão, o coração
ouvem-se-lhe sorrisos no talvegue,
pulsações que no meu pulso trago.
Nas margens daquele braço há um rio
navegando em direcção ao meu peito
enleiam-se em afectos os regaços
sulcando esteiros na solidão.
Nas margens de mim há um coração
que une os rios em abraços,
serão minhas mãos a várzea
onde semeias os dias com paixão.
sábado, 13 de março de 2010
'Poema' curto
Calem-se as memórias do que fizemos!
Emudeçam-se os projectos do que faremos!
Omitam-se os sonhos em que voamos!
Hoje, é aqui que quero estar,
vivendo a realidade deste projecto
que somos nós!
sexta-feira, 12 de março de 2010
Perda involuntária
Não esqueças o livro aberto,
na página daquele poema
de que tanto gostaste e que até foi escrito para ti.
Alguém poderá passar,
distraidamente lê-lo
e fazê-lo seu…
na página daquele poema
de que tanto gostaste e que até foi escrito para ti.
Alguém poderá passar,
distraidamente lê-lo
e fazê-lo seu…
Tarda a Primavera
Tarda a Primavera, meu
amor…
Florescem espaços
nas mãos vazias à espera dos teus dedos,
Brotam, na minha,
nas mãos vazias à espera dos teus dedos,
Brotam, na minha,
beijos para a tua boca beber,
Rasgam-se planícies
Rasgam-se planícies
no meu olhar que o teu procura,
Correm rios de carecimento
Correm rios de carecimento
na direcção dos teus braços afluentes,
Amadurecem as palavras
Amadurecem as palavras
por desabrochar no teu poema,
Constroem-se sonhados
os voos em busca de ninhos por inventar…
os voos em busca de ninhos por inventar…
Tarda a Primavera, meu
amor…
E os corpos anseiam pelo Verão,
onde arder…
quinta-feira, 11 de março de 2010
Quando a saudade chega...
São mais fáceis de atravessar rios revoltos em grande caudal
de paixão,
do que pequenos ribeiros em cujas margens nascem silvados de saudade.
Na procura das palavras esquecidas
Abandonaram-se, nos veios da carne estrangulados por
reminiscências de abraços, o sentido das palavras inutilizadas na repetição. Na
amálgama de pensamentos, arrumados na urgência dum beijo, dispensaram-se cores esquecidas
de vocábulos enjeitados pela busca da novidade. Adormeceram, em páginas
amarelecidas pela preterição, vontades de expressões mordidas na entrega dos
corpos. Hoje, procura-se a ressurreição dum sentimento em traduções ressequidas
pela distância, pelo desprezo, pela ingratidão, pela sobranceria. Mas estão
secos pelas lágrimas, os outrora rebentos verdejantes, cansados de não serem
reconhecidos.
quarta-feira, 10 de março de 2010
História em continuação
Era uma vez uma noite em
que as palavras se abraçaram à vontade e abriram janelas de vida. Solto num
imaginário incandescente, o sentimento correra em mensagens que esboçavam
olhares ansiosos dum peito onde aportar. Nessa noite, as pedras da calçada
testemunharam o prazer não revelado dos passos caminharem juntos. Os olhares
confirmaram o apetite até então por provar. Enquanto os corações aprendiam a
sintonizar o ritmo, foram as mãos que os aceleraram por uma via repentinamente
mais vasta do que a galáxia por onde as palavras se haviam atrevido entrar. O
dia preparava-se para a sucessão quando um abraço pedido desaguou num beijo sem
fronteira, horizonte ou norma. Libertava-se a inibição numa planície de tempo
por segurar. Degustaram-se os paladares das bocas franqueadas sob o suster duma
circulação que descobriu novas veias para percorrer. Hoje, quando a cabeça
pousa no seu regaço, mesclam-se imagens num álbum por organizar. Esquecera-se
da máquina fotográfica, do relógio, da folha branca e do lápis em punho. Registou
na memória pormenores que se apoderaram de vida própria. Permanece uma ténue
neblina sobre a precisão, ainda que se revele inconfundível a história naquela
noite iniciada. Repousa a paz em degraus por escalar, porque amanhã novo dia se
acrescentará a esta narrativa em que as palavras se abraçam ao desejo de nova página
desfolhar.
terça-feira, 9 de março de 2010
Post it
Quando o teu olhar se mareja em felicidade, não são lágrimas que jorram, mas cristais de diamante que desejo sorver para guardar
num cofre alojado no meu peito.
O comboio da noite
O comboio da noite
passa pela linha do tempo.
Partiu do cais do adeus
entre despedidas remotas e breves,
atravessa estações de receio,
vales escondidos em insónias.
Sobe montanhas de dúvidas,
planaltos áridos de suor.
Acelera por planícies sem sombra,
recolhe silhuetas de ansiedade,
cruza pontes de desejo,
desce em vertigens de sobressalto.
Estremece os pilares do sono
e sufoca descarrilado em pesadelos…
O comboio da noite
franqueia as portas do sossego
e só adormece
quando a manhã acordar…
passa pela linha do tempo.
Partiu do cais do adeus
entre despedidas remotas e breves,
atravessa estações de receio,
vales escondidos em insónias.
Sobe montanhas de dúvidas,
planaltos áridos de suor.
Acelera por planícies sem sombra,
recolhe silhuetas de ansiedade,
cruza pontes de desejo,
desce em vertigens de sobressalto.
Estremece os pilares do sono
e sufoca descarrilado em pesadelos…
O comboio da noite
franqueia as portas do sossego
e só adormece
quando a manhã acordar…
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