quinta-feira, 1 de abril de 2010

Voos desencontrados


Por vezes paramos, olhando o céu na expectativa de o ver chegar…
cansados, sentamo-nos no chão ansiosos por o avistar, ouvir, sentir…
desesperados procuramos um horário que não existe, pois nem sequer sabemos de onde vem…
perdemos as referências e apenas chegam memórias de voos já realizados com a urgência de regressar…

quarta-feira, 31 de março de 2010

Gastar o tempo


Gasta-se o tempo no observar dos ponteiros movendo-se imparáveis,
num ciclo repetitivo sem que o destino caiba nas horas que se avizinham.

Espera


São demasiado longas e inconsequentes as horas em que se espera...
por nada.

terça-feira, 30 de março de 2010

Estão todos bem!

imagem recolhida aqui

A que distância fica a realidade do que desejámos, daquilo em que acreditamos?

Frank Goode [interpretado por Robert de Niro] enviuvou há oito meses. Confrontado com a nova realidade, preenche os seus dias cuidando da casa, assumindo tarefas, até aí, exclusivas da sua falecida mulher. Pai exigente, empenhado em proporcionar todas as condições para que os seus filhos vençam na vida, trabalhou anos e anos na produção de PVC para revestimento dos cabos usados nas telecomunicações. As metragens que saíram das suas mãos são o seu orgulho por certificar-lhe o conforto de assim ter criado filhos detentores, hoje, de distintas carreiras. Separados por longas distâncias, Frank planeia reuni-los. Nas vésperas da data marcada, mune-se dos melhores condimentos para que a recepção se torne memorável. Mas inesperadamente vê-lhe anunciadas as impossibilidades de todos o visitarem. Restabelecido da decepção, decide surpreendê-los e parte ao seu encontro. Em cada cidade que visita acaba por ser ele o surpreendido ao perceber que a realidade não é aquela em que acreditara, aquela que lhe fora transmitida. Apercebe-se que, quiçá por força das suas exigências, com a conivência da mãe, todos os seus filhos fizeram-no acreditar possuírem carreiras e vidas familiares distantes da realidade. Refeito do choque, percebendo a insensibilidade que o tomou durante anos, Frank acaba por reconhecer que apesar da realidade ser diferente, Estão todos bem!

Everybody’s fine, de Kirk Jones, confessa-se uma comédia comovente, onde perpassa o desconforto da solidão, sugere a distância e incompreensão que se crava no seio familiar, enaltece o empenho e o respeito, mas acaba por nos mostrar que apesar de fugirmos da realidade, pela escusa de nos magoarmos, teremos de olhá-la de frente e descobrir que mesmo distante do que desejámos e daquilo em que acreditámos, deveremos avaliar os factos pela felicidade que proporcionam. E se assim é… estaremos todos bem!...

Distância


Parecem tão apartadas as mãos que não se tocam
que os olhares já não se adivinham,
ocultam-se no silêncio os espaços percorridos,
esbatem-se na saudade as pegadas repartidas.
Há um voo soprado de gaivota
no vento que afasta o navio da margem,
um adeus indesejado dissimula-se nas nuvens cinza
que vendam o sol onde o sorriso brilhou.
A vontade é âncora fundeada
nas memórias desfibradas pela distância que o tempo arrasta.
E o coração fica à deriva por entre vagas erosivas
que lhe desvendam um mar de solidão.
Perdem-se os passos partilhados
nas marés intrometidas que separam as mãos
e desviam olhares pelo horizonte do esquecimento.


Ardem-me os olhos...


Ardem-me os olhos…
não sei se é do sol
se das lágrimas,
o primeiro não sei onde brilha,
as segundas teimam em não cair.

Talvez seja do nó na garganta
que me salga a solidão
e ressique a tristeza…

Ardem-me os olhos…
mas não vejo
a luz aberta feita caminho,
onde o pranto se evapora
no raiar dum novo dia.

Perdido...


Perdido de mim próprio
quanto mais me movo
mais me isolo,
já não avisto terra
nem sei onde nasce o sol…
Paro
e fico sem saber onde estou.
Perdido de mim próprio
ou do Mundo?
Onde fica a realidade?
Sonhei ou acreditei?
Que vazio me rodeia
nesta imensidão de tempo sobrante,
parece cada vez maior
o caminho para chegar…
onde?

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pergunta com data[s]



Será que aquele dia sem data marcada,
pelo qual espero num constante adiar dos dias,
terá data para chegar?
Ou será uma data,
sem data para viver
e a minha esperança uma contínua ilusão
de a fixar no meu calendário,
como o principio dum tempo onde permanecer?

Lago sem tempo


Quando o tempo corre sem destino,
alaga-me o peito a desfocagem da outra margem.


Istmo


© eintoern


Quando a saudade invade o continente deserto onde permaneço,
procuro nas palavras a saliva que me humedece o coração
e avivando memórias torno-me istmo para a ti chegar.