A saudade é um presídio de
asas cegadas pela indefinição de retomar o voo perdido
Uma calçada para subir com o fulgor da paixão e descer com a convicção de regressar. Um espelho de momentos de contemplação, em que sentado num degrau observo, ouço e sinto privilégios que me sejam concedidos. Um lugar de recato onde semear divagações será a forma de descobrir novos caminhos.
domingo, 11 de abril de 2010
Entra e fica em mim
Entra e
fica em mim
como um sol que pede para passar a noite,
traz a serenidade das montanhas
e sopra-me a certeza de ficares
feita mar na firmeza de não partir.
como um sol que pede para passar a noite,
traz a serenidade das montanhas
e sopra-me a certeza de ficares
feita mar na firmeza de não partir.
Entra e
fica em mim
como leitura interminável
decifrando caracteres enigmáticos do meu ser
escritos antes de existir
a espera dum abraço vestido na permanência.
como leitura interminável
decifrando caracteres enigmáticos do meu ser
escritos antes de existir
a espera dum abraço vestido na permanência.
Entra e
fica em mim
como passos de destino único,
traz o fresco matinal nas mãos
e molha-me com os lábios melados
de antídoto certificado contra a ausência.
traz o fresco matinal nas mãos
e molha-me com os lábios melados
de antídoto certificado contra a ausência.
Entra e
fica em mim
como névoa que se dissipa
revelando os cumes dos teus sonhos
na crença de seres luar
nas noites infindas de futuro.
como névoa que se dissipa
revelando os cumes dos teus sonhos
na crença de seres luar
nas noites infindas de futuro.
Entra e
fica em mim
como estrela que a cada dia
... em mim se põe.
como estrela que a cada dia
... em mim se põe.
Um instante no tempo
Tento
deter no tempo, um instante
onde os olhares rumorejaram
na incerteza segura de quererem ficar
tão sós quanto a ilusão permita
pensarem-se incógnitos na multidão.
Detenho-me
em frente ao espelho
na procura desse instante em mim,
mas não me encontro nessa névoa
de corpúsculos fragilizados em versos
roubados a pensamentos esmorecidos.
Há
um tremor líquido nas lágrimas
que choro para me encontrar
neste tempo em fuga dum instante
onde os gestos correram carícias
numa pele percorrida devagar.
Dispo
a solidão da madrugada
descascando favos de memórias,
procuro no rendilhado dos dias
um instante para deter o tempo
onde me encontre em mim.
Etiquetas:
madrugadas na calçada,
pedras des.calçadas
sábado, 10 de abril de 2010
Inquietudes
Inquieta-me
a indomabilidade do mar,
a imprevisibilidade do fogo,
a indefinição do nevoeiro,
a imensurabilidade do fumo.
Inquieta-me
Inquieta-me
a impalpabilidade da melancolia,
a insustentabilidade da mentira,
a finitude da Primavera;
a inexplicabilidade do sentir.
Constrangem-me
os paralelismos com o amor!
Constrangem-me
os paralelismos com o amor!
Na força da noite
Espreito
pela janela. É a noite que está lá fora. Inúmeras luzes artificiais tentam
iludir a escuridão, mas se se apagarem é a força da noite que prevalece. Não
pode o homem alterar o rumo do que ALGUÉM determinou. As nossas capacidades de
ser humanos são ínfimas e nunca suficientes para determinar o que já foi
decidido. O que poderemos nós se não prosseguir no percurso que nos foi
escolhido e sonhar que, por vezes, nos iludiremos julgando-nos habilitados a
decidir o amanhã? E se nos cansarmos de sonhar?...
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Sonhos...
Os sonhos são dias que se empilham na esperança de voar até
alcançar o cume,
face privilegiada da felicidade invariavelmente mais próximo dum sorriso...
face privilegiada da felicidade invariavelmente mais próximo dum sorriso...
de sol... que derreterá o gelo da saudade.
Emudece-me o desejo
Emudece-me o desejo
numa boca aberta de segredos
que deixas voar
entre a madrugada em que te guardas
e os sonhos em que te escondes!
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Perguntas
Que força atrai dois corações suspensos em balançares
diferentes e com segredos guardados?
Tons melancólicos
Que caminhos sinuosos tomam os silêncios
nas manhãs frias que gelam cumplicidades
nas águas frias da ausência?
nas manhãs frias que gelam cumplicidades
nas águas frias da ausência?
Distanciam-se as margens
separadas nas sombras das palavras
esquecidas na humidade da memória.
separadas nas sombras das palavras
esquecidas na humidade da memória.
São escassos os raios de sorrisos
penetrando a densidade de ramos melancólicos
que obscurecem esse percurso deserto
onde os vocábulos teimam em não entrar.
penetrando a densidade de ramos melancólicos
que obscurecem esse percurso deserto
onde os vocábulos teimam em não entrar.
Há um brilho de luz sobre o mainel da direcção
onde, hoje, apenas restam pegadas
dos passos noutro tempo fogosos.
onde, hoje, apenas restam pegadas
dos passos noutro tempo fogosos.
Esmorecem os impulsos do outro lado alcançar,
inventam-se degraus de incerteza
para deter a partida desejada.
inventam-se degraus de incerteza
para deter a partida desejada.
Inquietam-se as mãos no mutismo
dum peito adivinhado na distância.
Derreter-se-ão as lajes de interrogações
no calor dos sentimentos adormecidos?
dum peito adivinhado na distância.
Derreter-se-ão as lajes de interrogações
no calor dos sentimentos adormecidos?
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Na crista da saudade
Desfraldo meu peito
ao vento
confiante de ver chegar
a maré onde és fragata,
feérica em fragrâncias de paixão,
arremessada contra o cais
em sulcos penetrando no meu olhar.
confiante de ver chegar
a maré onde és fragata,
feérica em fragrâncias de paixão,
arremessada contra o cais
em sulcos penetrando no meu olhar.
És mulher com asas
de gaivota
ou ave com perfume feminino.
Embriago-me antes de te beber
sorvendo memórias acordadas,
mordidas pela fome sem saliva
nos lábios ciosos de te beijar.
ou ave com perfume feminino.
Embriago-me antes de te beber
sorvendo memórias acordadas,
mordidas pela fome sem saliva
nos lábios ciosos de te beijar.
Nas mãos
abrem-se-me desertos
outrora florestas apertadas,
desbravadas por dedos bailarinos,
navegantes de segredos embarcados
em presídios de línguas enroladas
na minha boca pela tua fechada.
outrora florestas apertadas,
desbravadas por dedos bailarinos,
navegantes de segredos embarcados
em presídios de línguas enroladas
na minha boca pela tua fechada.
Aquieto-me nesta
hora infinita
prospectando tua voz no horizonte,
antecipo códigos ocultos nos peitos
a saciar num ansiado abraço
extinguindo o paladar agridoce
desta manhã nascida na saudade.
prospectando tua voz no horizonte,
antecipo códigos ocultos nos peitos
a saciar num ansiado abraço
extinguindo o paladar agridoce
desta manhã nascida na saudade.
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