Sobreviver é permanecer
vivo naquele fio que se estreita, numa espera [in]consciente do suspiro derradeiro,
ou permanecer neste aguardar cônscio por um suspiro diferente que nos mostre valer a pena estar vivo.
Uma calçada para subir com o fulgor da paixão e descer com a convicção de regressar. Um espelho de momentos de contemplação, em que sentado num degrau observo, ouço e sinto privilégios que me sejam concedidos. Um lugar de recato onde semear divagações será a forma de descobrir novos caminhos.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Vazio
© serrah
Quando sobra noite nos
lençóis em que me deito,
sinto o vazio do teu corpo na memória da minha pele.
sinto o vazio do teu corpo na memória da minha pele.
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nº 18,
pedras soltas
Tarde na noite
Deita-se tarde esta noite
em que o silêncio tarda em calar-se.
Cheira a retardada a mortalha desta verdade
que se enruga na sombra dos sonhos.
em que o silêncio tarda em calar-se.
Cheira a retardada a mortalha desta verdade
que se enruga na sombra dos sonhos.
São demasiados os passos
para alcançar a placidez da certeza.
Entalham-se em dúvida os trilhos desta calçada
subida no latejar da demora.
Alaga-se o espaço que se alarga
em soluços inquietos anoitecidos
na delonga deste deserto por adormecer.
Dispo a mudez e estendo-me no leito desmanchado
à espera que o amanhã se prostre a meu lado.
para alcançar a placidez da certeza.
Entalham-se em dúvida os trilhos desta calçada
subida no latejar da demora.
Alaga-se o espaço que se alarga
em soluços inquietos anoitecidos
na delonga deste deserto por adormecer.
Dispo a mudez e estendo-me no leito desmanchado
à espera que o amanhã se prostre a meu lado.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Como?
Como poderei apagar este fogo que me consome
se me falta a tua boca para beijar a sede?
Como poderei atracar este desejo que me atormenta
se me falta a tua mão para aportar a saudade?
Como poderei elevar esta visão que me adormece
se me falta o teu olhar para mergulhar a contemplação?
Como poderei enterrar este sofrimento que me amaldiçoa
se me falta a tua presença para afugentar a solidão?
se me falta a tua boca para beijar a sede?
Como poderei atracar este desejo que me atormenta
se me falta a tua mão para aportar a saudade?
Como poderei elevar esta visão que me adormece
se me falta o teu olhar para mergulhar a contemplação?
Como poderei enterrar este sofrimento que me amaldiçoa
se me falta a tua presença para afugentar a solidão?
No canavial dos teus pensamentos
Quando venta na esperança, uma suave brisa de inquietude,
entro no canavial do teu pensamento desbravando trilhos onde me encontre. Roubo-te
uma folha para enxertar a tua seiva no meu sangue, até chegar à eira onde me
deito recuperando o calor do teu sonho …e espero que te desfolhes em mim.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Na embriaguez da saudade
Passas descalça pela longevidade da ausência
e sinto o frio dos teus pés em bagos de saudade.
Colho um cacho de memórias,
vindimadas no intervalo em que as minhas mãos,
cheias de tempo, pisaram a sícera da tua presença,
na qual me embriaguei até mergulhar nesta saudade descalça
da minha pele nua das tuas mãos.
e sinto o frio dos teus pés em bagos de saudade.
Colho um cacho de memórias,
vindimadas no intervalo em que as minhas mãos,
cheias de tempo, pisaram a sícera da tua presença,
na qual me embriaguei até mergulhar nesta saudade descalça
da minha pele nua das tuas mãos.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Palavras Mágicas II
Tinha-as debaixo da pele, sob aquela camada com que se protegia para recusar os sentimentos e mostrar aos outros que não era ‘fraco’. Tinha-as escondidas, esquecidas, apagadas por aquele manto com que se cobria para recusar admitir que a emoção pode falar, ele que asseverava ser a razão o caminho único. Até que numa noite, um beijo, igual a tantos outros que trocara, teve um sabor diferente, estranho no princípio, saborosamente diferente sempre que, depois, o quis lembrar. E sem que o percebesse, em cada vez que o recuperou, foi-se despindo e elas, as palavras, acordaram e saíram pelos poros mais ensebados de protecção. Espreguiçaram-se e mostraram que os livros escrevem-se com sentimento e emoção. Os números são a razão. As palavras a magia…
Palavras Mágicas foi um desafio da Mafalda Branco que aceitei com muito prazer.
Transcrevo para a Calçada algumas dessas palavras que fui estimulado a deixar por lá.
Metamorfose dum abraço
© Rolka
Se um dia a lua se cansar de ver nossos corpos enlaçados,
diz-lhe que somos apenas cinzas de memória.
Fujamos nas asas duma Fénix e escondamo-nos,
num abraço fecundo, para além da borda da noite.
diz-lhe que somos apenas cinzas de memória.
Fujamos nas asas duma Fénix e escondamo-nos,
num abraço fecundo, para além da borda da noite.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Adiar?...
Quando se adia, na incerteza de o dever fazer hoje,
que segurança se julga encontrar para além da vida?
que segurança se julga encontrar para além da vida?
Palavras Mágicas I
© Nic Duncan
Quantas palavras enchem um coração, guardadas nas incertezas, nos preconceitos, na timidez, na insegurança? Até que alguém entra, na procura de abrigo e, esquecendo-se duma pequena fresta aberta, as solta deixando voar punhados de sorrisos, de lágrimas, de magia...
Palavras Mágicas foi um desafio da Mafalda Branco que aceitei com muito prazer. Transcrevo para a Calçada algumas dessas palavras que fui estimulado a deixar por lá.
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