sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O amor


Encontrado na surpresa do caminho,
devemos-lhe a busca quotidiana
dos passos para o percorrer;
é tão longa a vida para amar
e tão curto o amor para viver.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Poema sem destino

imagem recolhida aqui

No braço duma guitarra desprevenida
deitei meu poema magoado,
corriam horas pela noite perdida
gritos dum corpo assolado



Gemeram minhas mãos pelas cordas
feridas de palavras enleadas,
juras de tempo que não bordas
num futuro de orlas abandonadas.

Silencia o trinar das vielas,
soçobra o presente indomado,
cerram-se noctívagas janelas
na melodia que me traduz o fado.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Na margem do teu sorriso


Na margem do teu sorriso
há um cais onde meu olhar aporta,
um brilho
uma gota
lágrima
astro
pousa nos meus lábios
enquanto a tua boca se lhes cola
e o desejo realiza-se.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Passagens


Passas por todos os meus pensamentos
enquanto a tua ausência por mim passa.
Quando a saudade se ausenta,
porque a tua presença passa por mim,
passa por mim a ilusão
de que a tua ausência chegou ao fim…


DEPOIS



Empurras-me para um caminho
que os teus passos não percorrem,
ofereces-me um poema de solidão
escrito com palavras ensinadas,
roubadas na desordem
em que deixas meu coração;
no meu olhar fica a fotografia
das madrugadas em que te antecipavas
para ver o amanhecer em mim
e escrever nos meus lábios ‘bom-dia’…

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O amor


O amor gasta-se. Desaparece. Evapora-se. Como a mais intensa fragrância que fizemos questão de usar todos os dias. Para que tivéssemos a certeza de a saber presente. Para que os outros percebessem porque o sorriso era a estampa do nosso rosto. O amor esvai-se. E quando o procuramos, nem as cinzas em que nos fez arder, encontraremos. Terão sido levadas pelo vento do silêncio e distantes estarão. Dispersas na irrecuperabilidade da união. Não basta escrever o amor. Não basta dizer o amor. É preciso fazê-lo sentir. As palavras são apenas o complemento da certificação. A marca restaurável no instante da ausência ou do desejo maior. O amor precisa da mão para o agarrar. Precisa do olhar para o regalar. Precisa do presente para não se esquecer no passado. 


De que servirá escrever, hoje, que te amo se o teu corpo se ausentou para fora do meu abraço?... e o amor… ter-se-á volatilizado ontem…

Morar em ti



Deixa-me morar em ti
e a cada vez que espreitar o exterior
quero ouvir a tua voz dizer:

"Vem para dentro!
fazer da tua sombra, meu rasto
enquanto o desejo se despe
na desordem das carícias
em que nos descobrimos!"


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

À espera...


Abro nas teclas,
as pétalas dessa melodia
cujo aroma exalo
nas palavras que estendo
sobre esta pauta
sem instrumento onde viver,
à espera que a venhas furtar
com as mãos, onde te roubo
pequenos rubis lapidados
com que acendo
o brilho dum sorriso.

domingo, 1 de agosto de 2010

Leva-me


Leva-me ao jardim
onde adormeces o teu olhar
e deixa-me ser alfobre
onde semeias teus sonhos.

Enologia dum sentimento


Alvorada,
vindima de sonhos
que a noite desabrochou;
corpo,
cesta sem colheita
da saudade que em mim se deita;
boca,
rio sem nascente
onde a sede engole
o último bago dum beijo;
amor,
casta dum sentimento,
derramado num lagar,
que a noite vem colher
para aos sonhos dar de beber.