sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Páginas molhadas



Pudera eu esgotar os sentimentos
como se gastam as palavras,
não sentiria esta chuva
impregnar-me a alma
e encher-me páginas
onde as lágrimas não secam…

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Solidão


Quando o eco dos meus passos
ouço acima do burburinho da multidão,
há um vácuo invadindo esta redoma
onde o sangue esfria
e as palavras são um silêncio inexplorável.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sem Festa




Parto vadio
para uma folia onde não me quero
e para esquecer
que não te tenho
na festa
a que sonhei que quererias vir,
sem convite.
Só porque serias,
tu própria,
a festa!
Onde me quererias…

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Deixo-te o amor


Antes da morte
deixo-te o amor
mesmo que a leve,
à vida,
presa em cada sopro
e vá morrendo
antes do termo.

sábado, 18 de dezembro de 2010

[Re]Verso_s


Sou frente e verso
deste estar em que parto,
reparto-me e fico inteiro
sentado na espera
de permanecer de pé,
em pé
na expectativa de me sentar
lendo o reverso do que sou,
escrevendo o que sou
em verso…

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Em queda


Prendemo-nos ao que nos prende,
seguramo-nos e somos levados
por um fio ténue…
uma voz imperceptível…
um sopro de magia…
uma vontade inquebrável…
como um balão de sonhos insuflado,
como uma corrente no lodo dragada,
suspensos
até que nos desprendam
e desapareçam os nós
que não existiram
e flutuamos
em queda
sem adivinhar a recepção,
sem escolher a aterragem,
sem saber se sobreviveremos...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Fim


Na queda da primeira pétala
o lírio sentiu o golpe da traição,
arrancou sem furor a raiz
e ignorou a lágrima que lhe aguava
o ‘cale-se!’
Ouviu o silêncio brotando do vazio,
colheu sementes de solidão
germinando o degredo da noite
e percebeu que o nós
deixara de ser
um plural de si.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Conjugações


Desmembram-se pedras duma muralha
amparo dos dias
onde edifiquei meu peito,
verbo sem tempo
conjugação prioritária
no infinito…
Penetro teu corpo
com meus dedos
mas já nem sangue sinto
no aroma húmido da vontade,
enigma cuja chave
foi futuro
sempre presente.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Restos


Restam sem nome
retalhos de memória
cerzidos pelo desejo
em mantos de múltiplas faces

resta inteiro este nome
com que me escrevo sem memória,
face única dum desejo
coberto de dias por apagar

restam ilegíveis as páginas
clamando pela chama acordada
da minha pele tantas vezes escrita
na areia onde os sonhos
são praia perdida no teu nome.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Porque é Hoje!

Quero morrer no poema
onde o teu olhar seja rima derradeira!