segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Contra-Vento(s)


Não é fácil governar o barco
quando dum lado sopra a ternura e do outro a aventura.

domingo, 16 de outubro de 2011

Regresso

© sowmya


Regressaste
na subtileza da partida,
com a surpresa da chegada
num sorriso sem nome,
no impulso da saudade
que chama,
apelo
ardente
ignoto
ou disfarçado…
regressaste
e declarei luto
à tristeza,
pus uma venda na solidão 
e acendo palavras
plantadas na terra
semeação
do teu regresso.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Palavras Liquefeitas



Guardo um ramo de palavras proibidas, a que roubo o perfume com que meus dedos passeiam em ti. Inebriada ficas sem saber se te escrevo ou aromatizo. Um suspiro arredonda-se no silêncio declarado como cântico, enquanto desabotoas a partitura para que te componha a proibição da minha boca. Mas no aproximar dos lábios, impacientam-se os sentidos e embargada queda-se a razão. Entardece para calar as palavras. Perante o bálsamo da vicinalidade, a essência do que não deveria ser dito exulta na insurreição da volúpia.

Telegrama


Esqueço a sombra nos teus passos
para que não emudeça o eco das horas!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A/on_dular




Procuro,
nas ondas do teu cabelo,
abrigos de ventos esquecidos
oscilando da memória para o convite,
revolvo entre algas,
com a doçura da surpresa,
areias de sangue adormecido
submersas sob a voz exaltação
e descubro
a dolência do sorriso sonhador,
na magia dum céu serpeado,
preenchendo o mar de estrelas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Oferecer-me...


Contabilizar ou evocar o quanto me ofereço, poderá significar que a dádiva não será um prazer total ou estará infectada de sacrifício!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Demasiado" *



Pouso-te
qual ramo
em que me [te] ofereço
sobre o leito
cheio pelo luar
e…

levitamos
aluados
na atracção
dos corpos
soberanos
do planeta
perdido(s) nas horas
de amor!


* palavras inspiradas no desenho de Leila Pugnaloni que aqui se publica

Proximidades

© Zoomdak


Cruza-me num oceano
a proximidade do infinito,
solta-me o vocabulário das línguas
nas asas das aves em demanda,
ensina-me o silêncio do sal
arrebatado pelos dilúvios sem pátria
e quando o teu olhar se fechar
sob o ocaso tardio dos braços,
segura-me na rota de descobrimentos
a sedução dos mares por navegar.

... erguer-me-ei, então, falésia
na erosão da tua saudade.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Lua_Mar


Devolve-me a comoção das palavras
adormecida no vácuo da ausência;
dá-me a adivinhar
a sobrevivência da estrada
como nas noites de maré vaza
em que o teu chegar é luar
antecipando o cântico dos corpos.
Escreve-me poema
nessa partitura de areia
em que te compões
… para mim.

domingo, 2 de outubro de 2011

Beijo em forma de palavras



Na coragem dos lábios
a força das palavras,
a sílaba dos segredos,
o idioma dos beijos…
traduzo
o silêncio secreto do que escrevo
na cobiça dum denodo molhado
que nos meus se resolva.