terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Embriaguez


No teu copo
bebo a sede guardada,
como notícia não divulgada
à espera do vento
para levá-la,
em sopros perversos,
oculta sob hábitos de segredos.

Provo-te o hálito
e sabem-me a perfume
as tatuagens labiais,
deixadas como alfabeto
que soletro e apreendo,
trago por trago
no fogo da minha boca.

Embriagas-me,
engulo-te
e no fundo
dura aceso o beijo vivo,
almejo de imutável regresso,
que ao teu copo
me deixa preso.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Esperar


Espero-te
nas palavras perdidas,
pensadas,
libertas,
semeadas…
nas palavras que olham,
nas que ouvem,
ou nas que simplesmente
esperam…
espero-te
nas palavras que te escrevo
ou apenas escrevo…
espero-te
na demora
das horas que teimam não passar
ou das que fogem…
espero-te
no espaço feito poema,
no pantanal ansioso da ausência,
na representação líbita da paixão…

e tu passas pelas minhas coisas
com a discrição da verdade,
abrindo-me um sorriso
nas palavras que não escrevo
por me perder
nas sombras
que não esperava…

Pedra_das... V


Todas as noites, do alto do seu balcão celestial, a lua aguarda a subida do mar. Mas ele, invariavelmente, acaba por se estender sobre a areia que aos poucos se humedece para o acolher...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Expostos


“Ofereço-te a minha nudez!” 

e eu cobria-a,
primeiro com o olhar,
depois com a mão
[tão pouca…]
e a seguir com a boca,
recolhendo a cada beijo,
uma palavra,
tecendo uma manta,
agora agasalho
quando os silêncios,
espalhados pelo chão,
se aquietam a ouvir os corpos
em gemidos de paixão.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Na palidez dos dias


Talvez... já nem queiras
sonhos roubados à noite
rasgando lençóis de queixumes,
estendidos sobre murmúrios da lua;

Talvez... já nem precises
aromas importados do mar
esvaecidos na anemia das mãos,
onde o sangue esquecera de correr;

Talvez... já nem desejes
horizontes comovidos pelo fogo
mondado no lume cru dos poemas,
gemidos em oráculos soprados pelo coração;

Talvez... já nem sejas
perfume débil da felicidade,
afogada na ténue e inócua inquietude
onde, lacónica, a paixão viva empalideceu!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Depois... o início


Depois das palavras, os dedos
depois dos dedos, as bocas
depois das bocas, os sonhos
depois dos sonhos, os corpos
depois dos corpos, os dias
depois dos dias, as vidas
depois das vidas, as histórias
que se escrevem depois
de novo em palavras.

Pedra_das... IV

© Caminheiro


Há lençóis de [a]mar quando o sal e a areia se misturam no beijo de uma onda.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Guardar tempo


Guardo
na minha mão
o tempo
para abrir
outra mão
fechada
pelo tempo
esquecido
de sentir
entre os dedos
outros dedos
sedosos
de guardar
lembrança
dum tempo
para amar
sem…

memória de ter esquecido.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pedra_das... III


Dou lugar às palavras…
encho as mãos de frutos…
espremidos por olhares sequiosos de se embriagarem…

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Logro


Engano o silêncio
com palavras que preciso não calar
e escrevo em gomos
a verdade dum silêncio
que tem urgência em falar.