sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Em ti

© Renaissance Man

Percorro as margens de dois declives
arredondando-se até à confluência
do segredo que tens para me revelar,
engulo a tragos descontrolados a sede
enquanto sinto o prelúdio do sismo
que ficas incapaz de segurar,
fecho os olhos, que no escuro
sentem mais do que vêem,
e perco-me prisioneiro
das águas que te fiz nascer…

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Torpor

© Joni Niemelä

Hoje não quero escrever!

hoje vou despir os lábios de palavras
e deixá-los na espera…
desse nada por acontecer

vou deixar cair o silêncio,
de meu peito usurpado pela loucura,
e adiar o tempo
na rumorejem do sono

hoje vou esquecer as barcas,
promessas de cantos adivinhos,
e poupar a esperança
para uma voz de versos com rosto

vou subir à noite
e aguardar que o vento amadureça
na febre dos olhos vertendo-se
em ardor, no indagar dos segredos;

talvez os teus lábios
se queiram escrever nos meus.
… hoje.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pedra_das... VII


seres força em mim...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Travessia


O que haverá
do outro lado desse transpor?
que me atrai e assusta…
como ponte para enfrentar,
ao alcance dum tempo,
a certeza de vencer
o medo que nos atravessa.

Pedra_das... VI


quase, em espuma, me despertaste na multidão de pegadas... anónimo de mim.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Saber-te


Quero ser laivo irremediável no tecido da tua pele,
inflamando teus braços em bálsamo de laranjeira,
rasar de olhares as formas que te são talhe
e no tacto da descoberta, apresar sismos de suspiros
provando no teu corpo o sabor da minha boca.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Noite


Dentro de mim
há uma sala vazia,
onde a noite se inicia
branca,
como hora abandonada,
despojada qual poesia
de ninguém,
turvada por um olhar,
aconchegado nesse sítio
dormente e que mente,
como parede virgem
violada por uma janela
que um olhar rasga
à procura duma noite
por adormecer…

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Nudo


Quis ser palavra
mas esqueci o significado
desse rumor soprado
entre folhas, raízes e veias,
nas searas inexplicáveis
da emoção.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Destroços


Vieram pedir-me,
ruínas do que já fui,
que as ouvisse…
mas eu,
destroço de mim mesmo,
já não consigo lembrar
a voz de outrora
em que me construí
na força e na firmeza
de que nada me arruinaria
se o olhar fosse para diante…

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Embriaguez


No teu copo
bebo a sede guardada,
como notícia não divulgada
à espera do vento
para levá-la,
em sopros perversos,
oculta sob hábitos de segredos.

Provo-te o hálito
e sabem-me a perfume
as tatuagens labiais,
deixadas como alfabeto
que soletro e apreendo,
trago por trago
no fogo da minha boca.

Embriagas-me,
engulo-te
e no fundo
dura aceso o beijo vivo,
almejo de imutável regresso,
que ao teu copo
me deixa preso.