sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Cristais


pudesse a água ser tão cristalina
quanto o olhar que implora aos lábios que se molhem
e as margens não precisariam de pontes para se tocarem...

Em leitura

 
fosse
teu corpo
o livro
 
que abro
e leio
para nele penetrar
e nele me [a]guardar[es]
 
no delírio
de ser[es] miragem
a que me prendo
para me aguar.
 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pedra_das... XVIII


(...) saborear nos lábios o infinito decifrável da palavra. talvez beijo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ritmus

© John Fan

... ao silêncio 
roubo o ritmo das palavras
que caladas 
dançam-me cabeça adentro.

domingo, 9 de setembro de 2012

Veias


nasço sangue
no verbo provocado
que teu 'rasto' deixa em mim,
oferecendo-me leito
em veias de palavras...

sábado, 8 de setembro de 2012

Pedra_das... XVII


a insensibilidade faz-se colectiva
sempre que perante o descompasso da vida não se evita um luto antecipado.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Inóspito


Já não te vibra na boca
o nome
que mãos diluídas 
deixaram pelo chão,
em sombras
de passos... partidos.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pedra_das... XVI



há - no meio da multidão - um vácuo
que se torna cárcere das palavras, eco de passos perdidos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Prisioneiro do Céu

Num regresso ao universo dos livros esquecidos e de autores malditos, Zafón leva-nos pela Barcelona franquista, num enredo de ficção que esbate fronteiras com a realidade duma Espanha sob a batuta da ditadura. Em O Prisioneiro do Céu, um livro abre-nos as páginas do passado dos protagonistas e arrasta-nos para as memórias dum cárcere político, narradas com tal pormenor e sentir que quase se julga impossível que o autor não o tenha vivido na pele. Num exímio e contínuo revelar de detalhes da vida espanhola do pós-guerra, a ‘história’ da vida dos Sempere é revelada. O Prisioneiro do Céu é um labirinto em que corremos pelos enigmas e tensão usados pelo autor na sua escrita, a qual transporta sempre tal dose de sentimento que todos os factos se nos afiguram verídicos. Mas Zafón, através da sagacidade de Fermín, usa também o humor condimentando a obra com um rasgo muito próximo da perfeição. A mim, esta mais recente publicação do escritor catalão, devolveu-me o entusiasmo de leitura experimentado com A Sombra do Vento. E ao chegar ao fim, fica a vontade de repegar nas duas obras que antecedem O Prisioneiro do Céu, para [re]organizar todos os detalhes duma teia em torno da família Sempre, do Cemitério dos Livros Esquecidos e do fascínio por uma Barcelona acinzentada por mistérios que nos prendem, arrepiam e emocionam.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Jurar-te


jurar-te
o sonho consagrado
em que minhas mãos te esboçam o corpo
e nos teus lábios bebo a confissão ansiada 
de que acordar
não será o desfalecer desta fantasia
em que nos quero.