domingo, 21 de outubro de 2012

Regressos



Vens e partes, deixando-me nos arrabaldes da inquietação.
Um vento fustiga a cidade e o Rossio guarda-se no meu peito.
Chove, mas talvez sejam lágrimas do rio salpicando as colinas.
A Baixa ficou deserta, na minha cama só eu e o tempo
contado em avenidas, desencantos e pregões perdidos,
abandonados pelas varinas em canastas de soluços.
Ao longe ouve-se uma guitarra, ou o vibrar de uma memória.
Olho o castelo, transpiro-me do suor frio da Alfama assustada, ouço passos;
ecoam nos corredores pombalinos em direcção ao Tejo.

Chegam ondas e espero que sejas uma delas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Noite(s)


a noite descalçou as palavras
e depois acordou-as para que fossem grito.
frágeis serão, sempre, as noites incapazes de emudecer.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Em Turbilhão



há uma distância
que a loucura das tuas mãos agarra,
com elas
destróis a fronteira construída para me delimitar o corpo,
depois… fazes de mim ave
mas não me dás asas,
prendes-me
a esse paraíso para onde corres
quando o desejo te habita.

é então que me esqueces,
por entre o acordar dos gritos,
o desalinho dos linhos,
o descolorar das cores,
antes de regressares,
de loucura adormecida
e deixares o tempo tomar conta de ti
depois de o aprisionares em mim.



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Verbo


não te sei o nome,
nem o corpo,
nem a boca,
apenas este verbo
com que te beijo
e me deixa a esperança
rouca.

sábado, 13 de outubro de 2012

Pedra_das... XXV


quando te entregares,
nada deixes para amanhã.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pedra_das... XXIV

© barbara

a esperança mora numa rua onde a espera não desespera.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Pedra_das... XXIII

© martin zalba

e subitamente
os actos desmoronam-nos as palavras!


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pedra_das... XXII



a tentação é uma janela por onde voarás
quando fores incapaz de reconhecer
que o amor é uma vida amarrotada em ti…

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Claridade de um rosto



intemporal 
é a idade da manhã
que me acorda o olhar
sobre o teu rosto,
lavando em claridade
a cinza dos dias.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ao vento


regresso-te ao corpo
- como o veleiro elege marés
onde amaina em tempestades -,
ventos de desejo
sopram-me segredos de sonhos desfraldados,
fundeio-me em ti,
entrego-te a minha âncora.

apaga[-me] o mapa da partida!