sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quando urge o regresso



circular
é o caminho de regresso que faço
à partida;

útero,
como se a necessidade fosse vontade,
ou a vontade necessidade;

ventre ou boca…
tão frágil é a verdade,
quanto é verdade a fragilidade.

Em fuga


porquê procurar-me
quando nem eu próprio sei para onde fujo...
de mim.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Finais


por vezes, a vida deixa-nos num cais sem partidas, nem indicações de destino; e o único comboio que passa é o do tempo que, numa espiral, nos transporta para um vácuo no centro de nós.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Dias toldados


... e os dias transformam-se em paredes;
cercam e adensam-se desfocando a saída.

sábado, 24 de novembro de 2012

Certeza


morrerei!
mais perto
do que o ocaso

das palavras.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Arrepio

© Imogen Cunningham


desnudou-te a noite;


e eu colho pétalas
nos arrepios da pele
com que te vestes.



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Passagem

© Nood

somos passageiros
de um tempo
de amor
decantado
entre desencontros
e ilusões de romance.

domingo, 18 de novembro de 2012

É!


é quando me tocas 
com as mãos,
com o olhar,
ou com o amanhã das palavras ainda quentes da escrita
...
que mais gosto de te ouvir!


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Leva-me


leva-me para tua casa,
lá onde o lume te arde em segredo
e a noite se faz fogo no prolongar da saudade.
leva-me para tua casa,
lá onde o silêncio se bebe
e os caminhos se perscrutam em cascatas de afecto.
leva-me para tua casa,
lá onde os voos se sepultam 
e as sombras adormecem em ninhos inflamados.
leva-me para tua casa
onde me queres habitante de ti!


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Cidade [de Olga Roriz]



será a neblina uma barreira
ou um preâmbulo de partida?
de um corpo que se desdobra,
memória de um mapa por percorrer.
chove e mitiga a densa envolvência
de um piano minimalista
que se cega em repetição contigua
violada pela imposição de um violino.

horas que se acrescentam
à rotina dos dias,
abraços que se inventam,
visões de futuro
ou talvez retratos do passado,
corpo que permanece
no abrigo do desabrigo,
decomposição impossível de reciclar.

percursos de exaustão
em que nos perseguimos a nós próprios,
fuga às horas
na repetição de roteiros,
cantilena pela viagem de um repasto
que não chega.

pela paisagem multirracial musical
o desfile em metamorfose
dos transeuntes citadinos.
quadros de uma cidade edificada
nas ruas que correm dentro de nós!