sábado, 3 de julho de 2010

Fora do tamanho


O amor não se compra!

Talvez por isso seja difícil desprezá-lo,
mesmo quando não se adapta ao nosso tamanho…

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A ti


Abro-te os dias
como solo arável
à espera de semente.
Arrastam-se as horas
sobre um ventre dormente
que cala o verso ofegante
e cada vez mais distante
o meu corpo não te sente.

Palavras Mágicas IV

© Nic Duncan


A palavra ficou escondida nas mãos do escritor
incapaz de usar a tinta que secou no beijo dispensado.
Abre-se o silêncio na boca do actor despido de texto
e o pano cai sobre o palco onde as lágrimas actuam
feitas protagonistas duma narrativa que só se iluminará
quando a musa derramar amor nos olhos do poeta.




Palavras Mágicas foi um desafio da Mafalda Branco que aceitei com muito prazer. Transcrevo para a Calçada algumas dessas palavras que fui estimulado a deixar por lá.


Pegadas de ti

© Neil-Claydon


Procuro no areal, as pegadas que a onda apagou,
mas os teus passos não regressam depois que a maré vazou,
resta-me inventá-los na espuma adormecida
que o sal dos teus beijos, nos meus lábios deixou…


Percurso


É tão longo o extenso corredor
que percorro para a ti chegar
na confiança emudecida de dar vida
a esta melodia composta para em ti ficar.

Pedes-me um sorriso para te semear
a felicidade infinita que te ilumina.
Há uma verdade simples mas opaca
que me detém no cruzar de cada esquina.

É tão infindável este corredor que corro,
enquanto a vida se emudece no adiar
da crença inata que se desmorona,
no tempo que tarda para a ti chegar.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Inexistência


Flutuam trechos de ausência
neste ecrã que se enche
com o vazio da tua distância.

Grande metragem sem intérprete,
invisibilidade incompreendida
ou partida antecipada.

Espelho sem imagem,
poema sem verso,
amar sem amanhã.

Folha escrita sem musa,
areal despido de pegadas
numa maré que não chega.

Vou apagar o dia
em que sem anúncio te apartaste
e só em memórias sobraste.


O amor



Não precisas de o fechar num gaiola,
nem de lhe prender qualquer baraço.
Porém, não esqueças de todos os dias
abrir a janela e mostrar-lhe que gostas
de o ver voar no teu horizonte.

Acordar *


Alonga-se o corpo,
prolongamento do acordar,
vontade de ir mais longe
do que o son[h]o deixou… 






* inspirado em 'dessins'

Alforria


Concedes-me alforria
e eu parto no primeiro galeão
sem timoneiro, nem destino.
Parto para a liberdade de ficar preso
a uma imensidão onde não me encontro
,
procuro o significado dos silêncios
em excertos de sombras que não desvendo.

Sopram ventos, formam-se tempestades,
raiam bonanças em céus aventurados.
Desfraldam-se olhares, despem-se palavras,
mas por mais paisagens que invente
é na areia conquistada da tua ilha
que a minha emancipação irá naufragar.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pára sobre mim o teu luar


Pára sobre mim o luar
neste mar em que me abro
para tocar as margens da tua vontade.
Sente nas veias esta corrente
que os rios me trouxeram com o teu nome.
Flutuam à superfície sílabas de beijos,
alfabeto bordado na vertigem
de me entregar precipício
no livro que não me deixas ler-te.
Pára sobre mim o luar
e verás o sorriso soprar nas velas
das embarcações que dos meus sonhos partem
rumo ao oceano dos teus dias.