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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Falésia


Passeio pela música como poderia ser no topo de uma arriba. Num contínuo agudo, melódico e encantatório, ouço as fragas que te chamaram. Tocas no mar. E os dedos salgam as teclas. O vento rasga a paisagem e um insinuador tango arrebata os sentidos. Quem lhe consegue resistir? Quem não se deixa tentar por esse afoguear dos corpos? Ouço-te. Sorris. Ris como quem se vangloria da vitória por ter antecipado a partida. As tuas mãos também riam, antes de partires. Seduziam a vida como só os génios conseguem. Deixam-nos partidos, músicas inteiras, tocadas antes da tua partida. Restam-nos tempos interrompidos, preenchidos com expectativas de excertos que se completem. Antes de partirmos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

5 de Julho [2005 - 2011]




A memória fragmenta-se na distância que o tempo traça. Como pedaços de pele que se soltam à procura de nova carne que reerga a verticalidade.

Mas o que fomos, somos e seremos, enquanto seguramos os trechos de nós que nos construíram e em que nos moldámos, revelar-se-á mais importante do que o instante em que nos decidem esquecer.

Cabe-n
os a responsabilidade de não esquecermos o que fomos, pois no fundo somos e seremos eternamente parte da dança que se fez/faz neste País. Deveremos transportar o orgulho de termos colaborado em muito do que se fez memorável nesta arte, em Portugal.

Enquanto nos soubermos manter vivos, perdurará a certeza que há herança do que fomos, naquilo que hoje somos, mas também naquilo que ainda será feito. Porque enquanto nos mantivermos vivos, a memória não se apagará. Porque não fomos!, mas somos parte do que o Ballet Gulbenkian é.

Extinguiram a oportunidade de sermos dia em conjunto, mas não extinguiram a memória do que fizemos. Estamos aqui, vivos a lembrar!

Esta é a minha singela homenagem a TODOS os que, de alguma forma, nos pertencemos.

Hoje, que passam seis anos, sobre a data em que decidiram que deixaríamos de ser um todo. Hoje que continuamos a ser partes desse todo que não se esquece.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Assim... para todos vós



"acordes de solidão"
elevam-se
num feixe de luz,
estrada
por onde a melodia
se dissona
rumo ao escuro,
palco esconderijo do corpo
em movimento
mudo,
o olhar
prende-se ao som
recusando a partitura
vazia
como murmúrio
do último vocabulário
antes do esquecimento,
pausa,
lágrima,
a nota vibra
assim,
como uma coisa que se ama,
como um chão que se chama
enquanto a alma dança.