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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ocaso


entardeço a cada pôr-do-sol,
para além de um horizonte
a que não chego mais do que com a fantasia.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Dias Especiais




era uma vez um tempo em que os dias especiais tinham data.

mas o rio da vida foi afundando esse sabor particular às datas que se distinguiam das demais.

hoje, os dias especiais não passam de casas meio vazias, por vezes habitadas pela surpresa de instantes dispersos que emudece as expectativas.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Confissão



quando tua boca desce a sul,
confesso perder o norte!


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Rogo


que as palavras se recolham na gruta onde os sentimentos nascem
e dela apenas saiam as inadiáveis e transparentes.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Presente[s]


© kregon

um plúmbeo inverno habituou-se a descer sobre dezembro.  nos galhos da árvore resistem memórias cada vez mais esgaçadas de ilusões. suspendem-se desencantos desse sempre que se julgara infinito. cintilam fugazes relâmpagos de lembrares hipócritas. por desembrulhar, apenas um incógnito futuro.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sombras


sombras,
tão só sombras,
que rumo tomou a luz?...


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Antecipação


no meio de tanta agrura, toda a atenção confluía para aquele quadro vivo, onde a música fecundava o olhar. tudo parecia perfeito. tão perfeito quanto só o pode ser o instante que antecipa a destruição final.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quando urge o regresso



circular
é o caminho de regresso que faço
à partida;

útero,
como se a necessidade fosse vontade,
ou a vontade necessidade;

ventre ou boca…
tão frágil é a verdade,
quanto é verdade a fragilidade.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Finais


por vezes, a vida deixa-nos num cais sem partidas, nem indicações de destino; e o único comboio que passa é o do tempo que, numa espiral, nos transporta para um vácuo no centro de nós.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Dias toldados


... e os dias transformam-se em paredes;
cercam e adensam-se desfocando a saída.

sábado, 24 de novembro de 2012

Certeza


morrerei!
mais perto
do que o ocaso

das palavras.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sonhar...


sonhar,
HOJE,
será inconsciência 
ou uma réstia de infância 
enfrentando o naufrágio?...


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sonhar


sou saudade de quando derramavas em mim o olhar dos teus sonhos.
hoje adormeces e eu não te vejo o sonhar.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Puzzle



Enquanto a memória se vislumbra,
organizo pedaços de tempo,
módicas sobras de felicidade
por entre laivos de vida que se esfuma,
e preencho com palavras
os espaços em que me sobeja existência.

Dúvida indubitável


© Caminheiro

Nada mais claro
do que a certeza desta dúvida,
que obnubila o céu
como se frágil fosse
a força deste querer
voar
qual pensamento,
porque flutuar
é a incerteza que paira
sobre o pântano que enraíza,
à indefinição que me inquieta,
este sepultar
sem saber onde pertenço…

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Submersão


Sopra uma melancolia de aluvião
sobre esta ilha que sou
dum arquipélago que fomos,
nas vossas passagens
aves migratórias
semeiam a efemeridade da primavera,
mas permaneço desalento
na vibração do último som
bemol
quiçá na espera dum vento
que me faça esquecer
ser o tempo esse oceano
onde a morte me alagará
no desnorte de não vos saber
ao largo…

terça-feira, 5 de julho de 2011

5 de Julho [2005 - 2011]




A memória fragmenta-se na distância que o tempo traça. Como pedaços de pele que se soltam à procura de nova carne que reerga a verticalidade.

Mas o que fomos, somos e seremos, enquanto seguramos os trechos de nós que nos construíram e em que nos moldámos, revelar-se-á mais importante do que o instante em que nos decidem esquecer.

Cabe-n
os a responsabilidade de não esquecermos o que fomos, pois no fundo somos e seremos eternamente parte da dança que se fez/faz neste País. Deveremos transportar o orgulho de termos colaborado em muito do que se fez memorável nesta arte, em Portugal.

Enquanto nos soubermos manter vivos, perdurará a certeza que há herança do que fomos, naquilo que hoje somos, mas também naquilo que ainda será feito. Porque enquanto nos mantivermos vivos, a memória não se apagará. Porque não fomos!, mas somos parte do que o Ballet Gulbenkian é.

Extinguiram a oportunidade de sermos dia em conjunto, mas não extinguiram a memória do que fizemos. Estamos aqui, vivos a lembrar!

Esta é a minha singela homenagem a TODOS os que, de alguma forma, nos pertencemos.

Hoje, que passam seis anos, sobre a data em que decidiram que deixaríamos de ser um todo. Hoje que continuamos a ser partes desse todo que não se esquece.


domingo, 12 de junho de 2011

A caminho do fim


Escrevemo-nos em camadas. Primeiro calculadas, dimensionadas, conjugadas. Depois com porções de pele sobrepostas por crenças, decisões, caminhos, necessidades, opções. Remendos em que crescemos e nos solidificamos. A idade rouba-nos elasticidade e moldabilidade. E a esperança é uma esteira esgaçando, na qual nos deitamos enquanto o acreditar se despe[de] em nós. A confiança é uma manta da qual restam cada vez menos pedaços. O tempo desnuda-nos o miolo progressivamente mais parco, preparando-nos para a urna final onde a derradeira camada sobre nós se fechará, afastando-nos definitivamente do sonho.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cegueira doce



Quererei ver para além do que os meus olhos vêem?
Quererei saber mais do que os meus olhos sabem?
Se ao fechá-los, um sorriso se abrir na minha boca?...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Amar?


Quero amar
espontaneamente
sem pensar,
sem prever,
sem acautelar,
sem me conter.
Quero amar
com a ingenuidade
de acreditar,
sem duvidar,
sem desconfiar,
sem questionar.
Quero amar
sem doer,
com um sorriso no peito
e uma mão cheia de sonhos
que sei ir realizar.

Será possível amar?