quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mulher

© Judy W

surpreendeu-se!
... como se ela fosse uma obra de arte.
contemplou-a!
... como se um modelo fosse.
tocou-lhe!
... como se a pele lho pedisse.
beijou-a!
... como se a boca falasse.
e amou-a só...
como uma mulher poderá ser!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Romance de um dia de estrada


chegou-lhe na maresia das horas.
esquecido pelo tempo,
fora um caminheiro sem bússola.
no alpendre da desesperança
sentou-se num banco exausto pela espera.
soltou uma página do manancial que lhe é sangue
e ela, enfeitiçada pelo que ouvira,
arrendou-lhe a assoalhada que mantinha vazia:
o seu peito;
que ele pagaria com versos
roubados à brisa dos dias.
e assim preencheram as horas
que de tão cheias
lhes secaram as bocas,
que de tão impacientes
ensandeceram as peles,
que de tão abrasadas
despiram o alqueive legado pelo rigor do inverno
e, em marés cheias, vestiram-se mutuamente
esquecendo o tempo que resta
para o ponto cardeal
onde a vida termina.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Adiante


fechei a noite
como quem arruma uma gaveta
a que não voltará nas próximas estações. 
horas e horas por usar. 
cores desbotadas
por tantos olhares sem razão. 
um vazio de lugares 
cheios de ausências. 
e no fundo
uma folha
onde um dia
escreveras uma manhã 
inundada de cidades por conquistar.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Dança

© Jane

pudesse meu olhar acordar um lago de luz onde teus pés dançassem e num sopro as cordas abraçassem a melodia para fazer do teu movimento, canto.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Infinitus


é nesse limite infinito de onde me chamas, que me conjugo.

imperfeito será, eternamente, o tempo onde não nos perpetuamos.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Convite


escrevamos nomes numa rocha
a que o mar deu corpo
no resgate das ilhas. 
perdamo-nos do vento da prosa,
se na poesia temos por percorrer
incomensuráveis milhas.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Retiros


o sol de agosto atravessou as mulheres até recônditas palavras guardadas pela timidez ou precaução. nas suas sombras, gotas de sangue... de vontades feridas pelo silêncio, ou talvez sinais de um parto, de um poema por acontecer.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Permissão


deixa-me gritar o poema, com a força do sangue e o apego das veias que o disfarçam. deixa-me sangrar o desfibrar das palavras, tocadas pelos teus dedos indiscretos, que com prudência se intrometem entre as vocações dos meus pensamentos e se calam com o olhar de quem sonha. deixa-me gritar. baixinho. como quem sussurra, ilicitamente, o que deseja ser ouvido. mas não diz...

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pedra_das... XXVIII



Enganados serão os que mais acreditam!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Paisagem Transfigurada

© Samanta

pétalas de sangue
choravam-lhe das mãos,
sobre um arco imperfeito de luz
caíam-lhe aos pés
troncos de uma floresta,
sem céu.
alvos são os lábios
de um coração
anémico de poesia 
em hemorragia de tristeza.
folhas vermelhas
eram lágrimas de um solo
viúvo de sol.
fazia-se noite
nas pegadas da história.