terça-feira, 27 de julho de 2010

Assento *



Assento
onde me sento
e assento,
acento
com que acentuo
esta malha
em que me teço,
enquanto desfaleço
e levanto
deste lamento
em que canto
e me pranto
até que desapareço,
sem apreço
e me levanto
num voo
sem descanso,
onde me canso
e me amanso
até que chego
ao sossego
deste descanso
onde me sento,
com remanso,
neste assento
onde adormeço
num sonho
de que desconheço
o preço.


* inspirado em 'volto logo'

1 comentário:

Maria disse...

Nas suas caminhadas não terão sido raras as vezes em que, seguindo um caminho, de forma calma e pacífica, se deparou, de repente, com uma bifurcação. Não há tabuletas. Não tem mapa porque não acredita no destino. Tem que escolher simplesmente entre a) avançar, com ou sem medos, e no final pagar a factura ou b) não arriscar, não decidir, não optar. Ficar ali sentado, à sombra do que até aí construiu. Tem uma certeza. Não perderá nada do que até aí conquistou. Mas também ficará com uma dúvida. O que deixou de ganhar por não ter tido a coragem de arriscar, decidir, optar?