sexta-feira, 23 de julho de 2010

Na convalescença da noite


No corredor, corre o silêncio induzido às dores adormecidas,
a anestesia das enfermidades
visita cada quarto num corrupio invisível,
na minha cama, onde o sono não se deita,
curo palavras para oferecer ao novo dia.


2 comentários:

Maria disse...

Estou demasiado cansada e está muito calor para pensar em retorquir. Aliás, não há como fazê-lo.
O Caminheiro cura palavras para oferecer ao novo dia eu, p.ex., gravo palavras (literalmente falando) que temo não recordar no novo dia.
Em que camas andará esse sono maldito que não nas nossas?
Ah, mas eu obrigo-o a ficar, às vezes. Como? Com algo a que o nobre Caminheiro é, certamente, avesso: valium.
Experimente! É fabuloso. Depois de uma noite bem dormida as palavras fluem e são de uma qualidade incomparavelmente superior às que gravo durante a noite…
A noite é para os amantes e não para os solitários curarem ou gravarem palavras!
Estes, nós, devemos tomar Valium, ou ver um filme da treta enquanto comemos gelado. Podemos também apreciar a eloquência das meninas dos programas que dão a horas tardias, enquanto nos incentivam a adivinhar as palavras cruzadas ou o número de quadrados na figura...
Bom fds.
Espero ter muito material seu, 2.ª feira, para poder tecer muitos comentários.

AnaMar (pseudónimo) disse...

Na minha cama por vezes, levanta-se a dor...
Então, rasgo(-me) (s)em palavras tentando adivinhar a noite em que não regressarei.