terça-feira, 20 de julho de 2010

Distante


Distante…
como se o vento separasse continentes
unidos pelo oceano,
como se a ausência afastasse lábios
sequiosos por um beijo,
como se o silêncio desviasse palavras
necessárias de ouvir,
como se a dor apartasse corpos
desejosos dum abraço,
como se um navio se tivesse desprendido
por ter alongado demasiado as amarras.

6 comentários:

Mariana disse...

Oceano traiçoeiro
Beijos roubados
Palavras que nunca se quiseram dizer
Abraços que nunca se desejaram
E amarras que nunca o foram



Falsos pretextos para nada se fazer

elsafer disse...

por vezes as palavras por aqui me chamam , pois apesar da distancia que tenho tido por estes espaço virtuais , volto , com vontade de sorver , de sentir a sua sensualidade

;)

alice disse...

o destino das palavras é serem barcos no mar :) um beijinho.

Maria disse...

O vento é uma força da natureza
A ausência, o silêncio, a dor e a força, não são uma força da natureza.
O meu irmão, no contexto da escolha do tema da tese de mestrado, perguntou-me: estou a pensar analisar a obra de Miguel Torga numa perspectiva geográfica. O que achas? Acho um disparate. Como podes querer fazer uma análise objectiva de uma obra que é, por natureza, subjectiva? É o que tu fazes permanentemente! Retorquiu.
Sim, mas não como trabalho para atribuição de um titulo académico. Eu faço-o e o título que recebo é de grandessíssima chata!
É superior a mim não pragmatizar, inclusivamente, a subjectividade inerente ao que escreve. É o que eu estou a ousar fazer com a sua escrita. Pragmatizar os sentimentos subjacentes. Porque o faço? Um exercício de estilo? Quem sabe…
Não é minha intenção ofendê-lo. Nem a si nobre caminheiro nem aos que fielmente o lêem, onde me incluo.

Moon disse...

Exactamente...

NM disse...

Espero que não leve a mal, mas inspirou-me desta forma:

Perto…
como se o vento unisse continentes
separados pelo oceano,
como se a ausência unisse lábios
enfastiados,
como se o silêncio atraísse
palavras inúteis,
como se a dor unisse corpos
desejosos de solidão,
como se um navio ficasse preso
por se ter apertado demais as amarras.