segunda-feira, 5 de abril de 2010

De mim


Escrevo para não calar
este pássaro que me voa no peito
em busca de ninho onde pousar.
Escrevo em linhas,
ramos tenros duma árvore
curtindo-se no avelar das palavras.
Escrevo para soltar o pranto
dum rio que corre sem foz
ferindo cada margem que me toca.
Escrevo em páginas doadas
por uma pele que se estende
num pedido juvenil para ser lavrada.
Escrevo para me encontrar
e tantas vezes me perco
num labirinto celestial
onde não sei ser nem luz, nem escuridão.
Escrevo para me derramar,
para me renovar,
para partir e adejar.
Mas acabo sempre por chegar
a este porto onde se atracam
as águas do meu ser.


1 comentário:

Helena disse...

...deixe-me recordar KAFKA


" ...a gaiola saiu à procura de um pássaro"