terça-feira, 23 de março de 2010

Não sei viver no silêncio


Não sei viver no silêncio que me despe
o fogo em que o coração arde
quando as tuas mãos são janelas abertas
e o teu peito cheira à infusão de ervas
colhidas no chão que te desvendo.

Não sei viver no silêncio que me cala
as palavras perdidas de significado
num olhar despojado e sem horizonte
quando só o branco do algodão repousa
nas páginas vazias esquecidas da tua pele.

Não sei viver no silêncio que me morde
as horas errantes duns lábios lívidos
empedernidos no arrefecer das bocas 
soçobradas na noite invasora de dúvidas
sulcando um vale entre dois corpos.

Não sei viver no silêncio que me veste,
de tristeza, um coração que não vê
para além do que sente e acredita
como verdade arraigada num sentimento
que precisa do presente para viver.


1 comentário:

© Piedade Araújo Sol disse...

um bom poema, que fala no silencio.

eu hoje tambem falo no silencio no meu maresias.

tem boa semana!

beij