quinta-feira, 25 de março de 2010

Por vezes... sinto-me assim


Por vezes sinto-me receptáculo a quem arrancas uma pétala, para depois roubares outra, em laivos travessos de paixão… e eu, no brilho primaveril volto a repô-las ansioso pelo teu regresso. Outras vezes sinto ser fruto trincado no desafio dum olhar ébrio de desejo. Por vezes sinto-me pele arrepiada, quando a tua passas na minha, como esteiro experimentando na margem terrenos por invadir. Mas… tenho medo de alguma vez ser tronco despido de Outono, desfolhado pelo esquecimento de quem parte à procura dum novo sol, atraído por paisagens a conhecer, desperto pelas essências duma fragrância que é novidade. Então determino querer queimar no incêndio ardente de hoje e transformar-me em cinzas, onde as pegadas da tua memória se esgotem na procura de me reencontrar.

1 comentário:

Hugo de Macedo disse...

Brilhante texto como, aliás, é comum neste blog.

Parabéns.